
Dois policiais militares foram presos preventivamente nesta segunda-feira (29), suspeitos de praticar tortura, extorsão e outros crimes contra moradores do litoral do Paraná. As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontam que os agentes usavam a estrutura da Polícia Militar para cometer as agressões.
Os investigados são Patrick Luiz da Rosa e Rodrigo Ramos Patrício Pinto, lotados em Pontal do Paraná. Conforme o Gaeco, um dos principais elementos da investigação é um vídeo que registra um homem de 24 anos sendo espancado com pedaços de madeira, além de receber socos e chutes.
As apurações também identificaram mensagens atribuídas a Patrick Luiz da Rosa nas quais ele relata as agressões à companheira. Em uma delas, enviada na mesma noite em que uma das vítimas afirmou ter sofrido tortura, o policial escreveu que estava “espancando quatro pessoas no meio do mato” e acrescentou: “estávamos quebrando o braço e os dedos deles”.
Segundo o Gaeco, a primeira vítima foi abordada durante o atendimento a uma ocorrência de invasão de domicílio. Em outra ocasião, o mesmo homem teria voltado a ser agredido, desta vez nas dependências da 5ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar, em Pontal do Paraná, na presença de outros militares e de civis.
As investigações também apuram a prática de extorsão. Conforme o Ministério Público, uma das vítimas relatou que, após as agressões, passou a receber mensagens exigindo pagamentos quinzenais de até R$ 3 mil para garantir a própria segurança e a de seus familiares.
Para os investigadores, há indícios de que os policiais se valeram da função pública e da estrutura estatal para praticar os crimes. O Gaeco afirma que foram reunidas provas de episódios de tortura ocorridos tanto em uma casa de veraneio quanto dentro da unidade policial.
Em nota, a Polícia Militar do Paraná informou que prestou apoio à operação realizada pelo Gaeco por meio da Corregedoria-Geral. A corporação confirmou que os dois policiais permanecem presos preventivamente e foram afastados das atividades.
A defesa dos investigados informou que o processo tramita sob segredo de Justiça e declarou que aguarda acesso aos autos antes de se manifestar sobre as acusações.
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