Junho de 2026 consolida-se como o mês mais violento para as mulheres em Mato Grosso | Cliquef5

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O estado de Mato Grosso atingiu uma marca alarmante no combate à violência de gênero. As estatísticas atualizadas do Observatório Caliandra, plataforma do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) que monitora crimes contra as mulheres desde 2019, revelam que junho foi, até o momento, o mês com o maior número de feminicídios registrados em 2026, contabilizando sete assassinatos.

O panorama do primeiro semestre acende um alerta vermelho para as autoridades de segurança pública. Entre janeiro e junho deste ano, Mato Grosso já registrou um total de 26 feminicídios. Depois de junho, os meses que apresentaram maior letalidade foram março (com seis ocorrências) e maio (com quatro casos).

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O mês de julho também iniciou sob a sombra da violência: com menos de uma semana decorrida, o estado já computou o seu primeiro caso do mês — a morte de Daiany Rodrigues de Souza, de 33 anos, assassinada a facadas no interior do estado, crime que elevou a estatística anual para as 26 vítimas registradas na plataforma.

O Perfil da Violência e das Vítimas

A análise geográfica indica uma forte concentração populacional no topo do ranking da violência. Os municípios de Cuiabá e Várzea Grande aparecem empatados na liderança, com três feminicídios cada.

Os dados do MPMT também jogam luz sobre o perfil das vítimas e as circunstâncias mais comuns em que ocorrem os crimes:

  • Ambiente doméstico: O perigo mora dentro de casa. Sete crimes aconteceram diretamente na residência da vítima, enquanto outros 13 ocorreram em outras moradias.

  • Armas utilizadas: A arma branca (como facas e objetos cortantes) continua sendo o principal meio empregado pelos agressores para tirar a vida das mulheres.

  • Faixa etária e raça: A maior parte das vítimas (11 mulheres) era jovem, com idade entre 18 e 29 anos. No recorte étnico-raciais, 16 eram pardas, 7 eram brancas e 3 pretas.

  • Impacto social: A violência destrói famílias inteiras; somente neste ano, essas mulheres deixaram 32 filhos órfãos.

Silêncio e Falta de Proteção Legal

Um dos dados mais preocupantes destacados pelo Observatório Caliandra é o isolamento institucional em que as vítimas se encontravam antes de serem mortas. Das 26 mulheres assassinadas, 18 nunca haviam registrado um único boletim de ocorrência contra os agressores. Apenas oito possuíam algum registro formalizado na polícia e somente duas contavam com medida protetiva de urgência ativa contra o suspeito.

Especialistas e autoridades reforçam que a falta de notificações prévias impede que a rede de proteção do Estado interfira a tempo. Caso a mulher identifique os primeiros sinais de violência (seja física, psicológica ou moral), a orientação é buscar canais oficiais como o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou a plataforma SOS Mulher da Polícia Civil.

Mudança na Lei e Enfrentamento Nacional

A gravidade dos dados dialoga diretamente com as ações legislativas mais recentes no país. Em junho de 2026, foi sancionada uma nova lei federal que amplia de seis meses para um ano o prazo legal para que as vítimas de violência doméstica possam representar criminalmente contra seus agressores e buscar proteção. A mudança na legislação federal reconhece a complexidade psicológica do ciclo da violência, dando mais tempo para que a mulher consiga romper o silêncio sem perder o amparo judicial.

Mato Grosso historicamente amarga índices elevados de violência doméstica no cenário nacional. Ações integradas de conscientização, o fortalecimento de redes municipais de acolhimento e o incentivo ao uso de ferramentas digitais de denúncia continuam sendo as principais apostas das instituições de Justiça mato-grossenses para reverter esse cenário devastador.



Fonte: Click F5