Justiça autoriza público, mas adia julgamento de Carlinhos Bezerra | Rdnews

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Carlos Alberto Gomes Bezerra, Carlinhos Bezerra

A 1ª Vara Criminal de Cuiabá remarcou para o dia 21 deste mês a sessão de julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, pelo feminicídio de Thays Machado – sua ex-namorada – e o homicídio do então namorado dela, Willian Cesar Moreno, ocorridos em janeiro de 2023. O julgamento estava marcada para acontecer nesta terça-feira (7). A decisão atende ao pedido da defesa relacionado ao acesso a materiais produzidos durante a investigação.

Na mesma decisão, o Juízo acolheu pedido da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital e determinou, nesta segunda (6), o levantamento integral do sigilo processual da ação penal e reconheceu a regra geral de publicidade da sessão plenária, autorizando a presença do público no julgamento. O veto à participação do público e da imprensa no julgamento chegou a ser criticado por familiares de Thays. O requerimento foi protocolado em 2 de julho pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos.

Reprodução

Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), Carlinhos é réu confesso e está preso. Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o feminicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado à inconformidade com o fim do relacionamento amoroso, mediante extrema violência e em circunstâncias que impossibilitaram qualquer reação da vítima.

Para o MP, a conduta demonstrou elevado grau de crueldade, uma vez que os disparos foram efetuados em plena luz do dia, em área urbana com intensa circulação de pessoas, utilizando uma pistola semiautomática.

O MPMT sustenta ainda que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero. Segundo a denúncia, o acusado se valeu da condição de ex-companheiro da vítima e de sua superioridade física para exercer controle e violência contra Thays, evidenciando menosprezo à condição feminina da vítima e enquadrando o caso nas hipóteses legais de feminicídio.

Em relação à morte de Willian Moreno, o Ministério Público denunciou o acusado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Conforme a acusação, a ação foi premeditada e executada de forma a surpreender o casal, impedindo qualquer possibilidade efetiva de reação ou fuga diante dos disparos efetuados pelo acusado.

Ao analisar o pedido, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira entendeu que não há, neste momento, risco concreto à intimidade das vítimas ou de terceiros que justifique a manutenção do segredo de Justiça. A magistrada destacou ainda que a publicidade dos atos processuais constitui regra constitucional e que o próprio MPMT, após diálogo com os familiares das vítimas, manifestou-se favoravelmente à abertura da sessão.

Apesar do levantamento do sigilo, a decisão estabelece restrições para a cobertura do julgamento. A cobertura televisiva da sessão ficará limitada à assessoria de imprensa oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sendo vedado o acesso ao plenário de equipes de emissoras e demais veículos de comunicação. Também permanece proibida a captação e divulgação de imagens que permitam a identificação do réu e dos jurados. O acesso do público em geral, contudo, está autorizado.

Tiros em plena luz do dia

O crime foi cometido no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Naquele, Thays e William chegaram a receber ameaças de tiro de Carlinhos. Eles estavam em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, quando foram alvejados.

Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.

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Fonte: RD News