Justiça decreta prisão de estudante que matava gatos e rompeu tornozeleira duas vezes | HiperNotícias

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A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, nesta segunda-feira (6), um novo mandado de prisão preventiva contra Larissa Karolina Silva Moreira, de 28 anos, acusada de adotar gatos em ONGs para torturá-los e matá-los. A decisão judicial foi motivada pelo descumprimento reiterado das medidas cautelares, com destaque para o rompimento da tornozeleira eletrônica em duas ocasiões.

A investigada, que ganhou repercussão nacional pela crueldade dos crimes, foi encaminhada novamente à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em Cuiabá, onde permanece à disposição da Justiça.

O CASO

Larissa foi presa pela primeira vez em 13 de junho de 2025, após a Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema) receber denúncias de que gatos adotados por ela estavam desaparecendo. Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou corpos de três felinos em um terreno baldio próximo à residência da suspeita, no bairro do Porto, em Cuiabá.

As apurações revelaram que Larissa e o então namorado, William Angonese, procuravam ONGs de proteção animal para adotar gatos, que posteriormente eram vítimas de maus-tratos violentos. Um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) constatou lesão extensa na cabeça de um dos animais, além de sinais de asfixia por material plástico amarrado ao pescoço.

LIBERDADE PROVISÓRIA E VIOLAÇÕES

Em julho de 2025, a Justiça concedeu Habeas Corpus a Larissa, substituindo a prisão preventiva por medidas cautelares, que incluíam o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e comparecimento periódico em juízo. A decisão já previa expressamente que o descumprimento de qualquer uma das regras resultaria no retorno imediato ao sistema prisional.

No entanto, a acusada violou reiteradamente as condições impostas. Em setembro de 2025, foi registrado o primeiro rompimento da tornozeleira eletrônica. A defesa alegou que o episódio teria ocorrido durante um “surto psicótico agudo”, agravado pela exposição midiática do caso.

A Associação Tampatinhas Cuiabá, que atua como amicus curiae no processo, contestou a versão apresentando áudio e vídeo que, segundo a entidade, provariam a falsidade da alegação. Em uma gravação, Larissa teria dito a uma amiga que removeu o equipamento para realizar uma ressonância magnética. Em outro vídeo, ela aparece dançando em um bar durante a madrugada.

17 VIOLAÇÕES

O histórico de descumprimento da investigada é extenso. Em abril de 2026, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou pedido da defesa para retirar a tornozeleira, destacando que haviam sido registradas pelo menos 17 ocorrências de violação do monitoramento eletrônico, incluindo rompimento, ausência de sinal de GPS, descarregamento do equipamento e descumprimento de áreas de restrição.

O desembargador relator, Orlando de Almeida Perri, enfatizou que “o rompimento do monitoramento eletrônico não se tratou de episódio isolado, mas de violações em série”.

A nova ordem de prisão foi expedida após a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) informar que a investigada rompeu o equipamento pela segunda vez, levando à desativação de seu cadastro no sistema de monitoramento.

Além do descumprimento das medidas cautelares, a Associação Tampatinhas apontou que Larissa estaria utilizando sua liberdade para intimidar testemunhas, protetores de animais e jornalistas que cobrem o caso. Um protetor registrou boletim de ocorrência contra ela por calúnia, e uma jornalista relatou ter sido perseguida pela investigada em uma festa.

“Os fatos são claros: a investigada não apenas descumpre as medidas cautelares e mente em juízo, mas também se vale de sua liberdade para assediar e ameaçar testemunhas, denunciantes e jornalistas”, diz trecho da petição da associação.

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Fonte: Hiper Notícias