
A morte de Olga Beatriz Santos da Silva, de apenas 12 anos, completou um mês nesta terça-feira (7). Passados trinta dias do crime que chocou Mato Grosso, o laudo da necropsia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) ainda não foi entregue à equipe de investigação e nem à defesa da família da vítima, travando o avanço formal do processo.
Olga Beatriz foi morta na residência de seu pai, Claudinei da Silva, de 42 anos, em Várzea Grande, na primeira noite em que passaria dormindo na casa dele. O suspeito, que chegou a tentar fugir da delegacia antes de ser formalmente detido, teve a sua prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça e segue preso enquanto o caso é processado sob sigilo.
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De acordo com informações obtidas junto à reportagem do Olhar Direto, além do exame de necropsia, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ainda precisa cumprir outras diligências pendentes para solucionar lacunas do inquérito. Paralelamente, um novo pedido de interrogatório feito pela defesa de Claudinei foi negado pela polícia.
As linhas de investigação e o sentimento de posse
Até o momento, a principal linha de apuração trabalha com a hipótese de feminicídio motivado por um sentimento extremo de posse. Uma das vertentes indica que Claudinei teria agredido a filha após flagrar mensagens trocadas entre ela e outro menino em uma rede social. O delegado Nilson Farias, responsável pela prisão, explicou que essa dinâmica reflete a estrutura da violência doméstica.
“A visão que ele tinha da filha era de posse; ele a via como sua propriedade. Quando viu uma conversa dela com outra pessoa, o entendimento dele foi de que estava perdendo esse controle. O que gera a agressão na maioria dos casos de violência doméstica é justamente essa sensação de se sentir dono da mulher ou da filha. Quando o agressor vê outra pessoa ocupando um espaço que ele considera seu, acredita que pode reverter a situação pela força. Infelizmente, é assim que surgem as tragédias de feminicídio. Essa mentalidade machista precisa mudar”, afirmou Farias.
A delegada Jéssica Assis, que preside o inquérito, reforçou o impacto de gênero no crime ao pontuar a punição severa contra a individualidade da pré-adolescente: “Um pai que mata uma filha porque ela expressa os seus primeiros desejos amorosos, porque ela não tem autonomia de vontade, ela não foi orientada, ela foi punida por se expressar, por começar a se desenhar como uma mulher perante a sociedade”.
Contraponto da família e histórico do suspeito
Por outro lado, a versão de que o crime teria sido motivado por discussões sobre redes sociais é fortemente contestada pela defesa da mãe de Olga. Conforme relatado ao Olhar Direto, a família afirma que a menina sequer possuía aparelho celular. Segundo os relatos, Olga mantinha uma rotina estritamente infantil, costumava brincar de boneca e interagir prioritariamente com amigas mais novas, de oito e nove anos de idade. Além da tese das mensagens, a Polícia Civil também passou a apurar se o crime poderia ter sido cometido como uma forma de vingança contra a ex-companheira. O histórico de Claudinei também entrou no radar das autoridades, revelando que ele já possuía registros anteriores por violência doméstica.
A expectativa das autoridades e dos familiares da vítima é de que a liberação dos laudos periciais da Politec e a conclusão das últimas diligências de campo tragam respostas definitivas sobre a mecânica da morte de Olga e permitam o oferecimento da denúncia formal pelo Ministério Público.
Fonte: Click F5




