
EDUARDA FERNANDES
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
Mesmo dois anos após o assassinato do advogado Renato Nery, a filha dele, a advogada Lívia Nery, afirmou que ainda vive com medo e que a família só deverá encontrar tranquilidade quando todos os envolvidos forem julgados. A declaração foi dada hoje (15), antes do início do júri popular do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, que confessou ter executado o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT).
Renato Nery foi executado com sete tiros em 5 de julho de 2024, em frente ao escritório de advocacia dele, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. O júri popular de Alex começou na manhã desta quarta-feira, no Fórum de Cuiabá.
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À imprensa, Lívia disse que, embora a insegurança tenha diminuído ao longo das investigações, ela ainda teme possíveis retaliações porque atua como testemunha de acusação no processo. “Hoje eu não me sinto segura. Principalmente porque estou aqui para prestar depoimento como testemunha de acusação. Será que algum dia vai ter uma retaliação para mim? Não sei.”
Ela afirmou que a família considera que a sensação de segurança somente virá após o encerramento de todos os julgamentos relacionados ao caso. “A real tranquilidade vai vir quando finalizar todos os julgamentos, quando a gente vir que isso terminou.”
Lívia contou ainda que trabalha diariamente no escritório fundado pelo pai e passa todos os dias pelo local onde ele foi baleado. “Eu passo todos os dias por onde ele foi assassinado. Então falar em vida normal é muito complicado”, disse.
Ela lembrou que, logo após o crime, a família chegou a ser escoltada pela polícia durante o velório e viveu meses de incerteza sobre a própria segurança.
“Perguntei para o delegado se nós estávamos seguros. Ele olhou para mim e disse: ‘Eu não sei’.”
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Veja vídeo:
O julgamento
O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva é o primeiro dos réus a ser julgado pelo assassinato de Renato Nery, após o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, encerrar fase de preparação do processo.
As investigações da Polícia Civil apontaram que Alex Roberto foi contratado para matar o advogado mediante a promessa de pagamento de R$ 215 mil.
Renato foi atingido por sete disparos, chegou a ser socorrido, mas morreu na madrugada do dia seguinte. Conforme as investigações, o homicídio teria sido encomendado pelos empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi em razão de uma disputa judicial envolvendo uma área de mais de 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim, avaliada em mais de R$ 30 milhões.
O sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira é acusado de ser o intermediário e o arquiteto do assassinato. Ele atuou como o elo central entre os mandantes, Julinere e Cesar Jorge, e o executor dos disparos, o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva.
Os policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira, são acusados de forjar um confronto armado na região do Contorno Leste, em Cuiabá, para esconder a arma usada no assassinato do advogado Renato Nery.
Fonte: Repórter MT




