
A Decisão do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá que determinou a prisão preventiva de Rhavenna Barcelos de Almeida, também impede que os pastores, pais da investigada, e várias “missionárias” de um grupo religioso ingressem em unidades prisionais de Mato Grosso para projetos religiosos. A decisão é válida por 6 meses. A decisão autorizou a Operação Fariseus, deflagrada nesta quinta (16) pela Polícia Civil.
Conforme apurado pelo , foram determinadas medidas cautelares diversas de prisão para: Orminda Carlos de Barcelos Almeida e Nivaldo de Almeida, pais de Rhavenna; Jéssi Mariane Araújo dos Anjos; Karolina Lopes Padilha; Wiara Lima Cadore; e Lais Barbosa Lopes.
Reprodução
Orminda Carlos de Barcelos Almeida e Nivaldo de Almeida, pais de Rhavenna, e Jonas Souza Gonçalves Junior, vulgo “Batman”
A proibição de ingresso nas unidades prisionais de MT com projetos religiosos é válida por 6 meses, o qual poderá ser revogado ou prorrogado, caso novos fatos assim o recomendem. “As diligências revelaram indícios de estreita vinculação entre parte dos investigados e relevantes lideranças da organização criminosa, além de elementos que apontam para o possível desvirtuamento das atividades desenvolvidas pelo grupo religioso”, diz trecho.
Conforme já publicado, Rhavenna foi presa na manhã desta quinta-feira (16), durante a Operação Fariseus, deflagrada pela GCCO e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), suspeita de participar do esquema que utilizava um projeto religioso para favorecer integrantes do Comando Vermelho. Além disso, ela é apontada como companheira do líder da organização criminosa, Jonas Souza Gonçalves Junior, vulgo “Batman”.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão de dispositivos eletrônicos e de outras medidas cautelares, como a quebra de sigilo telefônico, de dados telemáticos e bancário contra os pais da suspeita.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da GCCO, os pais de Rhavenna também eram parte ativa da organização criminosa alvo da operação. “Eles recebiam recados, dilapidavam valores em espécie, transportavam valores para outras pessoas. Eles fazem parte da organização criminosa”, explica o delegado.
Victor Hugo comentou também que Rhavenna e os pais recebiam favores e ganhavam proteção dos membros do Comando Vermelho. O delegado detalhou que a investigada ganhou uma cirurgia plástica paga com o dinheiro do crime organizado, além de viagens para o Rio de Janeiro.
O delegado pontuou ainda sobre a existência de fotos de Rhavenna e dos pais com membros da organização criminosa, o que, segundo ele, “evidencia o vínculo”.
Operação Fariseus
Segundo a Polícia Civil, a investigação mostrou que os membros da família usavam o acesso a unidades prisionais para manter contato com presos, intermediar recados, aproximar familiares e lideranças criminosas, movimentar recursos financeiros e prestar apoio logístico e comunicacional à organização.
Conforme já publicado, as mulheres ligadas ao projeto religioso integravam um grupo que realizava viagens ao Rio de Janeiro, frequentava áreas dominadas pela facção criminosa e mantinha relacionamentos pessoais e íntimos com integrantes da organização, sendo parte dessas viagens custeada pelos próprios criminosos.
PJC
Dessas viagens, há registros fotográficos e audiovisuais de integrantes do grupo religioso em meio a fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores, alguns personalizados com referências à organização criminosa.
As imagens mostram evangelistas ao lado de lideranças da facção, foragidos da Justiça e pessoas responsáveis pela segurança armada dos líderes. Também foram encontrados registros de crianças portando armamentos personalizados e fotografias dos próprios investigados manipulando diferentes armas de fogo.
Além das viagens, também há indícios de custeio de procedimentos estéticos e aquisição de veículos em benefício de integrantes do grupo, evidenciando, em tese, a prática de lavagem de dinheiro mediante ocultação da origem e da destinação dos recursos.
As conversas analisadas pela polícia indicaram que integrantes do núcleo familiar intermediavam contatos com presos e mantinham comunicação direta com internos por telefone. Em um dos episódios, uma investigada solicitou a aplicação de um “salve” contra um homem acusado de furto.
A investigação identificou ainda diálogos relacionados à venda de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família. O fato foi analisado em conjunto com as fotografias de armamentos e os demais registros de convivência com integrantes armados da facção.
Os elementos reunidos indicam que o grupo investigado extrapolou os limites da assistência religiosa e estabeleceu vínculos pessoais, comunicacionais e financeiros com presos, foragidos e lideranças da organização criminosa. O grau de participação e a extensão da cooperação prestada por cada investigado ainda estão sendo individualizados no decorrer das investigações.
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Fonte: RD News




