Provas de pagamento de R$ 200 mil confirmam empresários como mandantes da morte de Renato Nery, diz delegado | Cliquef5

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O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou quarta-feira (15) que as investigações sobre o assassinato do ex-procurador-geral e ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery, estão 95% concluídas. Segundo o delegado, a Polícia Civil não tem dúvidas de que o casal de empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são os mandantes do crime.

A declaração foi dada após a participação do delegado no júri popular do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como o autor dos disparos que mataram o advogado em julho de 2024, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Em seu depoimento no julgamento, o réu confesso alegou ter agido sozinho para tentar isentar o casal e os policiais militares envolvidos. Contudo, Alex relatou que decidiu cometer o homicídio após ouvir, durante um churrasco com o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, que havia uma proposta de R$ 200 mil pela morte do advogado. O atirador revelou estar endividado com agiotas e que recebeu cerca de R$ 100 mil em dinheiro das mãos do PM após a execução.

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“Pela Delegacia de Homicídios, eu vou dizer para vocês: eu tenho total certeza, absoluta, de que a Julinere e o marido [César] mandaram matar o Renato Nery. A prova do pagamento está comprovada”, declarou o delegado Bruno Abreu.

A “cereja do bolo” nas contas bancárias

Segundo as investigações da Polícia Civil, os elementos reunidos apontam o casal como o responsável direto pela contratação da morte. O principal fator de convencimento é o rastreamento financeiro de uma transferência de R$ 200 mil realizada por Julinere no dia 4 de março de 2024. Por meio da quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça, foi demonstrado que o dinheiro saiu da conta da empresária, passou pelas mãos do intermediador (o policial militar Jackson Pereira Barbosa) e foi distribuído de forma fracionada até chegar aos executores, totalizando uma movimentação de R$ 215 mil para encobrir o crime.

“Nós temos muita prova e, no fim da investigação, conseguimos a cereja do bolo, que é a prova do pagamento. Em crimes de mando, é muito difícil comprovar esse repasse, e nós conseguimos demonstrar o pagamento feito pela Julinere ao Jackson, que fez a distribuição do dinheiro”, explicou Abreu.

O delegado destacou que a precisão dos valores chama a atenção. “O pagamento não foi de R$ 199 mil nem de R$ 198 mil. Foram exatamente R$ 200 mil. Encontramos os exatos R$ 200 mil. Isso é um detalhe muito importante”, acrescentou.

Disputa por terras de R$ 30 milhões

A motivação por trás do homicídio é uma longa disputa judicial pela posse de uma área rural de mais de 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim, avaliada em mais de R$ 30 milhões. O imóvel em questão havia sido transferido a Renato Nery como pagamento de honorários advocatícios por sua atuação ao longo de três décadas em um processo de reintegração de posse.

Além da quebra do sigilo bancário, depoimentos de testemunhas que foram usadas como “laranjas” na triangulação do dinheiro ajudaram a fechar o cerco contra os empresários.

Revelações espontâneas na tornozeleira

Outro ponto crucial destacado pela DHPP foram as declarações espontâneas feitas por Julinere Goulart Bastos. Embora tenha permanecido em silêncio em seu depoimento formal na delegacia, a empresária acabou entregando detalhes do esquema quando foi submetida à instalação de uma tornozeleira eletrônica como medida cautelar.

De acordo com o delegado, ela afirmou de livre e espontânea vontade que havia sido procurada por policiais oferecendo um acordo financeiro em troca de manterem o silêncio de pessoas envolvidas no crime. Ela ainda consentiu em mostrar as mensagens em seu aparelho celular que confirmavam a abordagem e a tentativa de extorsão por parte dos militares, material que foi formalmente anexado aos autos.

Em maio de 2026, a Justiça de Mato Grosso determinou que o casal de empresários e outros envolvidos também fossem pronunciados para ir a júri popular pelo crime.



Fonte: Click F5