
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (16 de julho), a Operação Sangria, focada em desarticular uma associação criminosa responsável por abastecer e distribuir entorpecentes em diversos pontos de Cuiabá. A ação foi liderada pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com apoio das delegacias especializadas de Crimes Fazendários (Defaz) e do Meio Ambiente (Dema).
Ao todo, foram cumpridas 24 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo). A ofensiva resultou na execução de:
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8 mandados de prisão preventiva;
8 mandados de busca e apreensão domiciliar;
8 bloqueios de contas bancárias, com limite de até R$ 300 mil confiscados por investigado.
Provas extraídas de celulares e movimentações por Pix
As investigações da Denarc, conduzidas ao longo de vários meses, avançaram significativamente após a perícia técnica em aparelhos celulares apreendidos em ações anteriores. A extração de dados expôs o organograma do grupo, detalhando as funções de lideranças, transportadores, distribuidores e operadores financeiros.
O material revelou que os suspeitos mantinham contato diário para negociar a compra de drogas, gerenciar o abastecimento de pontos de venda e realizar a prestação de contas. Além do fluxo de entorpecentes, chamou a atenção dos investigadores a intensa movimentação de dinheiro via chaves Pix e contas bancárias em nome de terceiros (“laranjas”) — estratégia utilizada para dificultar o rastreamento patrimonial da polícia e ocultar a origem ilícita dos valores.
O sufocamento financeiro como estratégia de Estado
O nome da operação, “Sangria”, traduz a atual metodologia de enfrentamento ao crime organizado no estado: focar na descapitalização das quadrilhas. Em vez de mirar apenas a apreensão física de substâncias, as forças de segurança buscam cortar o fluxo financeiro que viabiliza a compra de novos carregamentos e o pagamento de comparsas.
Essa estratégia de asfixia econômica tem sido a tônica das principais ações policiais em Mato Grosso nos últimos meses:
Em abril de 2026, a Denarc já havia mirado as finanças de fornecedores associados a grandes consórcios de drogas em Cuiabá, resultando no bloqueio judicial de diversas contas bancárias ligadas ao grupo.
No final de junho de 2026, a Operação Raleda também mirou a estrutura logística de facções rivais envolvidas com tráfico e homicídios no interior do estado, reforçando a estratégia de sufocamento operacional por meio de mandados simultâneos de busca e apreensão.
Com o bloqueio de até R$ 2,4 milhões na soma dos alvos da Operação Sangria, a Polícia Civil impõe um duro revés na capacidade de reestruturação do grupo criminoso na capital.
Fonte: Click F5




