Milho não cobre custo total da nova safra e produtores preveem prejuízo na safra 26/27

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O preço projetado para o milho da safra 2026/27 em Mato Grosso permanece abaixo do necessário para cobrir o custo operacional total da atividade. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima cotação média de R$ 44,76 por saca, enquanto o ponto de equilíbrio do Custo Operacional Total (COT) é de R$ 47,09.

A diferença negativa chega a R$ 2,33 por saca. O valor esperado para o cereal supera apenas o ponto de equilíbrio do Custo Operacional Efetivo (COE), calculado em R$ 42,70. Nesse recorte, a margem é de R$ 2,06 por saca, deixando pouco espaço para absorver novas altas nos insumos, perdas de produtividade ou recuos nas cotações.

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Os cálculos consideram produtividade de 128,64 sacas por hectare, estimada para a safra 2025/26. Com essa referência, o COE da próxima temporada foi projetado em R$ 5.493,40 por hectare, queda mensal de 0,63%. O COT recuou 0,60% e ficou em R$ 6.057,70 por hectare.

O custo total de produção, que inclui todos os componentes avaliados pelo projeto CPA-MT, caiu 0,61% em junho e chegou a R$ 7.372,88 por hectare. O levantamento é elaborado pelo Imea em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT).

A redução foi puxada principalmente pelos fertilizantes e corretivos. As despesas com esse grupo caíram 2,38% e foram estimadas em R$ 1.532,66 por hectare. A normalização da logística no Oriente Médio durante junho permitiu a retomada das exportações e melhorou as condições de negociação para os compradores, pressionando os preços para baixo.

Os defensivos também ficaram mais baratos, com recuo de 0,32% e custo de R$ 913,04 por hectare. Na direção contrária, as sementes subiram 0,95%, alcançando R$ 848,78 por hectare. O aumento limitou uma redução maior no custeio, calculado em R$ 3.767,37 por hectare, queda de 0,84% no mês.

Entre os três principais grupos de insumos, os fertilizantes e corretivos continuam representando a maior despesa. O valor supera em R$ 619,62 o custo estimado com defensivos e em R$ 683,88 a parcela destinada às sementes. Por isso, qualquer nova oscilação nesse mercado pode alterar de forma relevante a conta final da lavoura.

O Imea alerta que o alívio nos fertilizantes pode não durar. Parte dos produtores adiou as compras e a concentração da demanda nos próximos meses pode voltar a elevar os preços. Mesmo com a redução mensal, a relação entre receita esperada e despesas continua apertada, reforçando a necessidade de planejamento das aquisições e atenção ao momento de comercialização.



Fonte:Estadão MT