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Medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes — popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras (como Ozempic, Mounjaro e Wegovy) — deixaram de ser apenas fenômenos de vendas para se tornarem o principal alvo de quadrilhas especializadas em furtos a farmácias e roubo de cargas em todo o país.
Em Mato Grosso, a Polícia Civil deflagrou a Operação Efeito Colateral. Conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Várzea Grande, a ação cumpriu 12 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, contra uma organização criminosa que invadia drogarias especificamente para subtrair esses produtos.
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As investigações começaram após um furto ocorrido em maio de 2025, no qual os criminosos usaram técnicas brutas de arrombamento: quebraram a parede de uma farmácia no centro de Várzea Grande, violaram o cofre e levaram um lote exclusivo de canetas emagrecedoras.
Uma crise nacional: perdas de R$ 280 milhões e salto nos crimes
O caso de Várzea Grande reflete um cenário alarmante em âmbito nacional. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) revelam que as ocorrências criminais envolvendo esses medicamentos deram um salto de 800% no último ano. Estima-se que as perdas do setor farmacêutico com furtos e roubos de canetas já alcancem a marca de R$ 280 milhões.
Essa explosão de casos forçou redes de farmácias a mudarem drasticamente sua rotina de segurança. Estabelecimentos em todo o país vêm adotando o uso de chips de rastreamento nas caixas, instalação de geradores de fumaça e a retirada completa desses medicamentos das áreas de exposição ao público.
Mercado paralelo e riscos à saúde pública
O combustível para esse avanço criminoso é a combinação de alto valor agregado, facilidade de transporte e enorme liquidez. De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o mercado clandestino de canetas emagrecedoras — movido por furtos, contrabando e falsificações — já movimenta bilhões de reais, com estimativas de que quatro em cada cinco canetas comercializadas fora das redes credenciadas sejam ilegais.
Após os furtos, as canetas são rapidamente escoadas no mercado paralelo por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de marketplace.
Além do prejuízo financeiro, o fenômeno impõe um grave risco à saúde pública:
Quebra da cadeia de frio: Esses medicamentos exigem refrigeração rigorosa. Fora do controle de temperatura exigido, o princípio ativo perde a eficácia e pode sofrer degradação química prejudicial ao organismo.
Falsificação e adulteração: Parte dos lotes roubados é trocada ou manipulada. Recentemente, investigações policiais apontaram casos graves de canetas adulteradas contendo insulina no lugar de semaglutida, o que levou pacientes a quadros graves de hipoglicemia e internações em UTI.
Mudança de perfil no crime patrimonial
Para os investigadores da Derf, a Operação Efeito Colateral evidencia uma transição na dinâmica das quadrilhas patrimoniais. Em vez de focarem em eletrônicos de difícil transporte ou dinheiro físico em cofres, o crime organizado voltou-se para insumos farmacêuticos de altíssima demanda e pequeno volume.
A Polícia Civil de Mato Grosso destacou que a operação tem caráter tanto repressivo quanto preventivo. As apurações continuam para rastrear a cadeia de receptadores, combater as plataformas de revenda clandestina e desarticular os financiadores do esquema.
Fonte: Click F5




