
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, afirmou que foi chamado de “corno” por Willian César Moreno segundos antes de matá-lo e a sua ex-namorada, Thays Machado, a tiros na tarde de 18 de janeiro de 2023. Em interrogatório no Tribunal do Júri de Cuiabá, nesta sexta-feira (31), o réu sustentou que “tudo mudou em apenas dois segundos”.
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No detalhe, Carlinhos Bezerra; ao fundo, Thays Machado e William Moreno, no dia em que foram assassinados
O relacionamento entre Carlinhos e Thays teria durado 3 anos e 7 meses, segundo ele. O réu definiu a união como boa, porém conturbada e marcada por muitas idas e vindas. De acordo com ele, a vítima tinha vontade de casar e até de dar o sobrenome dele à filha dela de outro casamento.
No entanto, alegou que ele e Thays ainda não tinham terminado o relacionamento quando a vítima começou a se relacionar com Willian — versão que foi contestada por outras testemunhas. Ele disse que, depois de ver o casal junto e segui-los, voltou para casa, mas não conseguiu dormir.
O réu relatou que queria saber quem, de fato, era o tal Willian e que começou a “imaginar coisas” quando decidiu ir atrás de Thays na casa da mãe dela. Ele disse que, no dia do crime, tinha decidido sair para “beber todas”, mas avistou o casal saindo do prédio, abaixou o vidro do carro e perguntou por que Thays não estava atendendo suas ligações.
Carlinhos afirmou ter sido chamado de “corno babaca” por Willian, que também o mandou ir embora, momento em que perdeu o controle em frações de segundo e atirou. Ele alegou que foi uma ação de defesa porque a vítima teria ido “para cima dele”.
O réu declarou que, se não tivesse visto Thays ao lado de Willian, o crime não teria acontecido, e que o evento que determinou o fim trágico durou apenas dois segundos. Carlinhos ainda admitiu ter sido um ato impensado e um erro que o corrói “todos os dias”.
A versão contrasta com a relatada por outras testemunhas. De acordo com o delegado Marcel Gomes de Oliveira, responsável pelo inquérito do caso, no réveillon de 2023, dias antes do crime, Thays teria percebido que estava sendo perseguida por Carlinhos e chegou a confrontar o empresário, que respondeu com agressividade, novamente questionando onde e com quem ela estava e chegando a xingar a vítima. O investigador foi o primeiro a depor no julgamento.
Relembre o crime
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora. William a acompanhava.
Conforme publicado, Thays estava em um relacionamento com Willian há cerca de um mês quando, na madrugada do dia do crime, ela foi ao aeroporto para buscar o atual namorado. Na data, os dois teriam sido abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo.
Ela ligou para o 190 e denunciou a situação. Na ligação, ela foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, “caso fosse necessário”. De acordo com as investigações, Thays não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia e pedir medida protetiva.
Um pouco mais tarde, por volta das 17h daquele dia, ela e Willian Moreno foram assassinados na calçada do edifício onde a mãe de Thays morava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.
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Fonte: RD News




