
O promotor de Justiça Vinícius Gahyva, responsável pela acusação contra o empresário Carlinhos Bezerra, que enfrenta o Tribunal do Júri de Cuiabá nesta sexta-feira (31), classificou o réu como possessivo e ciumento, afirmando que ele via a vítima Thays Machado como objeto, e não como companheira. A fala reforça o enquadramento do assassinato como feminicípio.
Carlos Alberto Gomes Bezerra responde pelo assassinato a tiros de Thays, sua ex-namorada, e do então namorado dela, Willian César Moreno. O crime foi cometido em Cuiabá, no dia 18 de janeiro de 2023.
TJMT
Para Gahyva, da mesma forma que o réu via Thays como objeto, ele tinha um sentimento de posse sobre ela e se via no direito de agir com violência para “tomar de volta” algo que acreditava que lhe pertencia.
O posicionamento do promotor marcou a fase de debates. Do outro lado, a defesa tenta alegar insanidade do réu e pede a remoção de todas as qualificadoras.
Iniciado por volta das 10h, o julgamento contou com os depoimentos de várias testemunhas: o delegado Marcel Gomes de Oliveira (responsável pelo inquérito); a investigadora Lívia Sales (que analisou os celulares dos envolvidos); o delegado Philipe Pinho (que efetuou a prisão do réu em Campo Verde); e a investigadora Luciene Wolf (que atendeu Thays horas antes do crime). O próprio Carlinhos Bezerra também foi interrogado.
Ao todo, cinco homens e duas mulheres compõem o Conselho de Sentença e devem decidir o futuro do réu.
Relembre o crime
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora. William a acompanhava.
Conforme publicado, Thays estava em um relacionamento com Willian há cerca de um mês quando, na madrugada do dia do crime, ela foi ao aeroporto para buscar o atual namorado. Na data, os dois teriam sido abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo.
Ela ligou para o 190 e denunciou a situação. Na ligação, ela foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, “caso fosse necessário”. De acordo com as investigações, Thays não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia e pedir medida protetiva.
Um pouco mais tarde, por volta das 17h daquele dia, ela e Willian Moreno foram assassinados na calçada do edifício onde a mãe de Thays morava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.
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Fonte: RD News




