Dia D da paternidade reconhecida reúne histórias de afeto na Defensoria Pública de MT | Rdnews

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Dia D Meu Pai Tem Nome

A 5ª edição do Meu Pai Tem Nome da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) marcou a união oficial da história de amor entre Dirson Corrêa da Costa e sua filha Ana Paula da Rocha Pereira Corrêa. Pai e filha estiverem presentes neste sábado (1), na DPEMT, em Cuiabá, para realizar o reconhecimento socioafetivo que começou há 25 anos.

Paulo Henrique Fanaia

Dirson conta que era amigo da mãe de Ana Paula e que um dia a mulher disse que havia tido uma filha. Ao conhecer a bebê, Dirson se apaixonou pela criança e afirmou que iria cuidar da menina como se fosse o pai biológico.

“Quando a mãe da Ana Paula me mostrou ela, pequenininha, eu me apaixonei. A Ana Paula só tinha dois meses, mas ela me olhou como se me conhecesse”, conta o pai.

Durante toda sua vida Ana Paula teve Dirson como pai, pois ele sempre cuidou da criança, dando afeto, amor, se preocupando com os estudos, alimentação, roupas e tudo que ela mais precisava. Atualmente Dirson está com 68 anos, razão pela qual Ana Paula faz questão de adicionar o nome do pai na sua certidão de nascimento.

“Eu sempre quis ter um pai na minha certidão, mas minha mãe não deixava, ela tinha uma resistência muito grande por alguns problemas que ela passava com bebidas, por isso ela criou essa resistência. Hoje eu sou maior de idade, tenho 25 anos, e já consigo fazer o pedido para adicionar o nome do Dirson como meu pai. Para mim é muito especial ter o nome dele na minha certidão. Irei passar o nome dele para minha filha de dois anos, que é neta dele. Hoje vamos reconhecer pela lei que ele é meu pai. Esse reconhecimento vai ajudar no futuro para que eu cuide dele, assim como ele cuidou de mim”, conta Ana Paula.

Pai e filha passaram pela audiência de mediação e conciliação feita pela DPEMT. O termo de audiência será protocolado na justiça pedindo que o juiz faça o reconhecimento da filiação. A partir daí, a sentença é encaminhada para o Cartório de Registro Civil com a determinação de que o órgão faça a alteração no registro de Ana Paula, adicionando o nome de Dirson como Pai e alterando o sobrenome dela.

Quem também buscou o atendimento do Meu Pai Tem Nome foi Clely Alves Torres, de 48 anos de idade. Ela conta que conheceu o pai, Paulo Torres de Araújo, em abril deste ano no município de Alto Garças. Ela propôs fazer o exame de DNA por meio do programa Meu Pai Tem Nome. Mesmo morando distante, eles fizeram os exames e participaram neste sábado, por meio de videoconferência, da audiência de conciliação em Cuiabá.

“Minha mãe engravidou, mas nunca contou para ele. Durante todos esses anos eu tive um pai de criação que sempre foi fantástico, mas eu não tinha um pai na certidão de nascimento e isso é muito dolorido. Quando me apresentei ao Paulo ele foi super receptivo e disse que não sabia que tinha uma filha. Eu fiquei sabendo do Meu Pai Tem Nome e sugeri a ele que fizéssemos o exame de DNA. Hoje eu trago um alívio muito grande de que estou encerrando um ciclo e começando outro que será construído com muito carinho. O atendimento da Defensoria ajudou muito para que pudéssemos fazer esse reconhecimento de pai e filha”, contou Clely Alves.

Junto ao Núcleo Cível de Cuiabá, participam do Dia D de atendimentos os Núcleos da DPEMT de Várzea Grande, Poconé, Juína, Sorriso, Alta Floresta, Rondonópolis, Tangará da Serra, Cáceres, Barra do Garças, Nova Xavantina e Pontes e Lacerda.

Meu Pai Tem Nome

Coordenado nacionalmente pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), o projeto Meu Pai Tem Nome busca assegurar o direito fundamental à identidade e reduzir o número de crianças sem o nome do pai no registro civil.

Além do reconhecimento de paternidade, o projeto oferece gratuitamente exames de DNA, acordos sobre pensão alimentícia, guarda e convivência familiar, investigação de paternidade e outros serviços relacionados ao direito de família, contribuindo para a solução consensual de conflitos e para o fortalecimento dos vínculos familiares.

Neste ano, a ação registrou 278 inscrições em 17 Núcleos da DPEMT, 72% a mais do que em 2025, quando ocorreram 161 registros. Desse total, 196 casos seguiram para realização de exame de DNA e 82 foram encaminhados por meio de reconhecimento voluntário de paternidade, demonstrando que muitas famílias conseguiram resolver a situação de forma consensual.

Cuiabá concentrou o maior número de inscrições, com 104 atendimentos, seguida por Várzea Grande (31), Rondonópolis (23) e Sorriso (23). Também participaram Sinop (13), Pontes e Lacerda (11), Cáceres (11), Poconé (9), Alto Araguaia (8), Barra do Garças (8), Tangará da Serra (7), Nova Xavantina (7), Alta Floresta (6), Peixoto de Azevedo (6) e Juína (3). A coleta do material genético foi realizada nos dias 10 e 11 de julho, em Cuiabá, e em 3 de julho nos demais locais.

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Fonte: RD News