Falsa renegociação de crédito consignado faz disparar golpes contra aposentados | RepórterMT

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Mariana Barbosa

UOL

O programa de renegociação de dívidas Desenrola virou mote para uma nova modalidade de golpes financeiros: a falsa renegociação do crédito consignado para aposentados. Dados da plataforma antifraude SOS Golpe, da Silverguard, mostram que o “golpe da renegociação” foi o tipo que mais cresceu entre junho e julho, com uma alta de 174%.

O segundo golpe que mais cresceu foi o de renegociação de dívidas em geral (143%). A lista dos golpes com maior crescimento no último mês segue com golpe de doações falsas (82%), chantagem com fotos íntimas (60%) e investimentos em cripto (46%).

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O levantamento aponta que o prejuízo médio deixado na conta bancária com o golpe da renegociação chega a R$ 3.970. O valor é bem acima da média de prejuízo dos golpes digitais no país, de R$ 2.540, segundo um outro levantamento da Silverguard relativo ao ano passado.

Os chamados golpes de engenharia social — quando há contato com a vítima — causaram prejuízos de R$ 51 bilhões no ano passado. São golpes de Pix, boletos, compras e investimentos falsos. Segundo o Anuário de Segurança Pública, 1 em cada 3 brasileiros já foram vítimas desse tipo de golpe.

No caso do golpe da renegociação de consignado, os criminosos geralmente chegam por WhatsApp, se passando por correspondentes bancários ou funcionários de instituições financeiras reconhecidas. “Eles passam credibilidade por muitas vezes já possuírem dados prévios, vazados, sobre o endividamento da vítima”, explica Márcia Netto, CEO da Silverguard. “O que chama a atenção e torna a prática mais perversa é que o alvo principal é o público 60+, justamente quem muitas vezes já está com a margem do consignado estrangulada.”

No golpe da renegociação, o cliente é levado a contrair uma nova dívida sob a falsa promessa de que o valor será usado para abater ou “portar” um contrato antigo. Logo que o dinheiro cai na conta, o golpista envia boletos falsos ou chaves Pix (geralmente em nome de terceiros ou empresas de fachada) e orienta a transferência imediata para a “quitação” do primeiro contrato. Mas ao invés de quitar a primeira dívida, ele passa a ter duas dívidas.

Na prática, o correspondente bancário está levando o cliente a fazer um empréstimo com uma instituição verdadeira, mas ele pega o dinheiro de volta no ato da contratação.

O golpe simula uma operação comum no consignado, de refinanciamento da dívida. É comum as instituições oferecerem um “troco” quando o cliente vai refinanciar um contrato de consignado, já que o refinanciamento abre margem para novos empréstimos. Mas nesse caso, o cliente fica com o dinheiro e a parcela se soma à parcela da dívida refinanciada.

Para a CEO do Silverguard, o principal sinal de fraude que o aposentado deve ficar atento é quando há pedido para que ele próprio transfira o dinheiro para o correspondente “quitar” a antiga. No caso de portabilidade de dívidas, a liquidação é feita diretamente entre as instituições, sem passar pela conta do cliente.

A plataforma SOS Golpe é uma central de denúncias gratuita e dá orientação para a pessoa tentar recuperar o dinheiro. No topo da lista dos golpes com mais denúncias na plataforma estão as lojas falsas e pouco conhecidas, que aparecem nas redes sociais: representam 20,9% das denúncias. Em seguida vem o golpe das tarefas remuneradas: a oferta de dinheiro fácil (17,9%). Em terceiro lugar vem o golpe do falso prestador de serviços (7%). Desde 2023, a plataforma já processou 350 mil denúncias.



Fonte: Repórter MT