
A utilização de um biocombustível renovável como alternativa ao diesel fóssil deixou de ser apenas uma possibilidade em testes de laboratório e passou a ser demonstrada em uma das categorias mais exigentes do automobilismo brasileiro. Em 2026, a Copa Truck passou a utilizar exclusivamente o Be8 BeVant, combustível desenvolvido pela Be8 e apresentado pela empresa como uma alternativa para a descarbonização do transporte pesado.
A tecnologia ganhou destaque durante a etapa realizada em Cuiabá, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, no Autódromo Internacional de Cuiabá, no Parque Novo Mato Grosso. Cerca de 40 caminhões da categoria utilizaram o biocombustível durante a competição.
Divulgação Be8
Em entrevista especial ao , Sandro Tapparo, Head Comercial do Be8 BeVant, explicou como funciona o produto, os resultados obtidos nas pistas, as aplicações fora do automobilismo e os planos da empresa para Mato Grosso. Com quase 30 anos de experiência no setor de distribuição de combustíveis, Tapparo está há menos de um ano na Be8 e é responsável pela distribuição e execução do projeto BeVant.
O que é o Be8 BeVant?
A Be8 atua no segmento de biocombustíveis e tem sua trajetória ligada principalmente à produção de biodiesel. Segundo Tapparo, a companhia possui cerca de 20 anos de operação no mercado e unidades no Brasil e no exterior.
O Be8 BeVant, por sua vez, foi desenvolvido como um combustível de uso puro, ou seja, sem a necessidade da mistura convencional com o diesel fóssil.
Segundo o executivo, o produto passa por um processo de bidestilação e recebe aditivos que permitem sua utilização em motores do ciclo diesel. A proposta é justamente possibilitar a substituição do combustível fóssil sem a necessidade de substituição dos veículos.
O fundamento da existência do BeVant é um produto destinado para a descarbonização
“O fundamento da existência do BeVant é um produto destinado para a descarbonização. Para a empresa que quiser descarbonizar sua operação, que hoje usa diesel, o BeVant é um produto adequado para isso”, explicou Tapparo.
De acordo com informações fornecidas pela Be8, o combustível é produzido a partir de matérias-primas renováveis, incluindo soja, gorduras e óleo de cozinha usado.
Por que levar o combustível para a Copa Truck?
A escolha da Copa Truck como plataforma de demonstração está relacionada às condições extremas às quais os caminhões são submetidos durante as provas.
Para Tapparo, a competição permite testar o combustível em situações de alta exigência e, ao mesmo tempo, aproximar a tecnologia de montadoras, equipes, pilotos, profissionais do setor e do público.
“A Copa Truck é um dos eventos nacionais de grande impacto em relação à mídia, ao desempenho dos equipamentos e à possibilidade de você estar em vários estados do Brasil demonstrando o produto”, afirmou.
Além da visibilidade, a competição funciona, segundo o executivo, como uma espécie de prova prática da tecnologia. “É uma prova de fogo em que a gente está saindo muito bem”, disse.
Antes de chegar às pistas, o Be8 BeVant passou por testes em motores e bancadas, além de avaliações realizadas com equipes técnicas da categoria, fabricantes de motores e parceiros da indústria. Entre os parâmetros analisados estavam desempenho, consumo, confiabilidade e comportamento dos motores em condições extremas.
Um dos principais resultados apresentados pela Be8 está relacionado à redução das emissões. Segundo Sandro Tapparo, nas quatro primeiras provas consideradas pela empresa, 84 toneladas de CO₂ deixaram de ser emitidas para a atmosfera.
Além da redução das emissões, o executivo destacou a manutenção do desempenho dos caminhões. “Conseguimos manter a performance dos caminhões”, afirmou.
Outro efeito observado foi a redução da fumaça escura e dos particulados durante as provas. Para a empresa, a mudança tornou as competições visualmente mais limpas e reforçou a proposta de utilizar o automobilismo como demonstração de uma alternativa ao diesel fóssil.
De acordo com a Be8, o BeVant pode reduzir em até 99% as emissões de gases de efeito estufa no conceito “tanque à roda”, quando comparado ao diesel fóssil. O percentual é uma informação atribuída pela empresa e está relacionada ao método de cálculo apresentado pela companhia.
Divulgação Be8
Sandro Tapparo, Head Comercial do Be8 BeVant
Combustível mantém a potência do diesel?
Uma das principais dúvidas quando se fala em substituir o diesel por um biocombustível está relacionada ao desempenho. Segundo Tapparo, testes anteriores já indicavam que o Be8 BeVant apresentava resultados equivalentes aos do diesel. A Copa Truck teria servido como uma confirmação prática dessa característica.
“Nós estamos conseguindo entregar o desempenho dos veículos da mesma forma que o diesel”, afirmou.
O executivo explicou que o combustível possui uma forma de queima diferente por ser um éster, mas que, segundo os resultados observados pela empresa, a entrega final de desempenho é semelhante à do diesel.
A competição também permitiu comparar resultados entre circuitos e temporadas. Segundo o gestor, em algumas pistas comparáveis, os tempos registrados foram iguais ou até melhores do que os observados anteriormente.
Apesar da associação com o automobilismo, o Be8 BeVant não é um produto restrito às pistas. Conforme Sandro, a comercialização do combustível para o público começou há aproximadamente um ano e já existem experiências em diferentes segmentos da economia.
Entre as aplicações citadas estão o transporte de cargas e coletivo, agricultura, geração de energia, navegação e navegação interior.
O executivo afirma ainda que a empresa já possui mais de 100 clientes utilizando o BeVant de forma contínua. Segundo ele, a proposta é ampliar a utilização do combustível justamente em setores que dependem de motores a diesel e que buscam reduzir suas emissões sem necessariamente renovar toda a frota.
Alternativa para transportadoras
No setor de transporte rodoviário, a possibilidade de utilizar o combustível sem trocar caminhões ou motores é apontada pela Be8 como uma das principais vantagens do produto.
De acordo com Tapparo, a adoção do BeVant não exige a substituição dos equipamentos. O executivo explica que também não seria necessário trocar motor ou filtro, sendo necessária uma limpeza do sistema antes da utilização do novo combustível, conforme orientação da empresa.
A estratégia pode interessar especialmente a transportadores que atendem empresas com metas ou exigências relacionadas à redução de emissões.
“Quem quiser se diferenciar em relação ao mercado, para atender embarcadores que têm exportação e já têm essa exigência, ou mesmo o mercado nacional, para um transporte descarbonizado, o BeVant é ideal para esse fim”, afirmou.
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MT está no centro da estratégia
A presença de Mato Grosso é considerada estratégica pela Be8 devido ao peso do agronegócio e da logística no Estado. A empresa possui duas unidades operacionais de biodiesel em território mato-grossense, sendo uma em Nova Marilândia e outra em Alto Araguaia, incorporada recentemente ao grupo.
Para Tapparo, a relação entre produção agrícola e geração de energia renovável coloca Mato Grosso em uma posição importante dentro da estratégia da companhia. “O Mato Grosso está no centro do nosso olhar”, afirmou.
A empresa também avalia novas oportunidades de expansão no Estado. Segundo o executivo, a unidade de Alto Araguaia ainda está em processo de estruturação dentro do grupo, mas a companhia permanece atenta a outras possibilidades.
Uma das perspectivas apresentadas é a instalação de unidades de BeVant em Mato Grosso para ampliar a disponibilidade do produto e melhorar as condições de logística para os consumidores da região.
Agronegócio e biocombustíveis
A relação entre agronegócio e biocombustíveis aparece como um dos principais pontos da estratégia da Be8. Mato Grosso, por ser um dos principais polos brasileiros de produção agrícola e possuir uma extensa rede de transporte de cargas, reúne características que favorecem a utilização de combustíveis renováveis.
Para Tapparo, o desenvolvimento desse mercado pode criar uma conexão direta entre a produção agrícola e a geração de energia. “O agronegócio tem muito a ganhar com os biocombustíveis. É um casamento perfeito”, afirmou.
O executivo também destacou que a expansão da produção de biocombustíveis pode contribuir para a geração de riqueza nas regiões produtoras.
A Copa Truck ajudou a aumentar a confiança no produto?
Para a Be8, a presença do BeVant na Copa Truck também tem uma função comercial, que é diminuir a resistência natural do mercado diante de uma mudança na matriz energética.
Segundo a Be8, o diesel possui décadas de utilização no transporte pesado. Por isso, a introdução de uma nova alternativa envolve dúvidas sobre desempenho, confiabilidade e adaptação. Nesse contexto, a empresa afirma que a competição funciona como uma demonstração pública.
“Quando a gente olha para a Copa Truck, a gente pensa: aqui é a nossa certificação. Se alguém tem alguma dúvida, a gente leva para a pista e mostra como funciona o produto”, explicou Tapparo.
A aproximação com pilotos e equipes também é considerada importante pela empresa. Segundo o executivo, integrantes da competição passaram a procurar informações sobre a possibilidade de utilização do combustível em outros veículos e operações.
Apesar dos avanços, a expansão do BeVant e de outras alternativas renováveis ainda depende de alguns fatores. Tapparo aponta três pontos principais: regulamentação, logística e escala de produção.
O primeiro está relacionado ao ambiente regulatório para ampliar o uso de biocombustíveis. O segundo envolve a necessidade de aumentar a disponibilidade do produto e aproximá-lo dos mercados consumidores.
Já o terceiro está relacionado à escala. Quanto maior a produção, segundo a avaliação da empresa, maior tende a ser a possibilidade de redução dos custos e ampliação do acesso ao combustível.
“A nossa expectativa é que o biocombustível seja o combustível do futuro. Do presente e do futuro”, resumiu Tapparo.
Divulgação Be8
Cuiabá como palco da demonstração
A etapa da Copa Truck em Cuiabá teve um significado especial para a empresa por unir automobilismo, agronegócio e produção de biocombustíveis em um mesmo cenário. Tapparo classificou como positiva a experiência de acompanhar a competição na capital mato-grossense e destacou o desempenho apresentado pelos caminhões durante a etapa.
“Foi um prazer estar em Cuiabá com mais esta etapa”, afirmou.
Para a Be8, a realização da prova em Mato Grosso reforçou a conexão entre a tecnologia apresentada nas pistas e um dos principais mercados potenciais para sua utilização, sendo o transporte ligado ao agronegócio.
A principal aposta da Be8 é fazer com que a experiência adquirida na Copa Truck ultrapasse os limites do automobilismo.
O mesmo combustível utilizado pelos caminhões de competição já está disponível, segundo a empresa, para aplicações comerciais em caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, geradores de energia e embarcações.
A lógica é utilizar a competição como uma vitrine para demonstrar que a redução de emissões não necessariamente depende da substituição imediata da frota. A empresa defende que o Be8 BeVant permite manter os motores e os veículos existentes, criando uma alternativa de transição energética para operações que atualmente dependem do diesel fóssil.
“O BeVant veio para ficar”, concluiu Sandro.
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Fonte: RD News





