
Foto-Reprodução-Web
Apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso, João Batista Vieira dos Santos, o “Virgulino”, foi recambiado para Cuiabá e encaminhado à Penitenciária Central do Estado (PCE). A transferência ocorreu após sua prisão em Assunção, no Paraguai, durante a Operação Raspa Brasil.
Para efetuar o transporte, equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco) se deslocaram até Foz do Iguaçu (PR), na fronteira. A captura de “Virgulino” foi fruto de uma ação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso (via GCCO e Gepol), a Polícia Nacional do Paraguai e a Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos. No momento da abordagem, ele apresentava documentos falsos em nome de Raimundo Nonato de Almeida de Souza.
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Esconderijo no RJ e cerco às lideranças
A captura de “Virgulino” reflete a ofensiva das forças de segurança contra lideranças mato-grossenses que buscam refúgio fora do estado. Recentemente, a Operação Dark Route, também deflagrada pela GCCO/Draco, mirou integrantes da facção que se escondiam no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, mantendo o controle do tráfico local e ostentando carros de luxo. Assim como os alvos no Rio, “Virgulino” passou uma temporada em território fluminense antes de cruzar a fronteira para o Paraguai.
Nas redes sociais, o investigado mantinha uma rotina ativa com perfis falsos — como “Lucas Matos” — publicando fotos em bares, rotinas de treinos e até registros com armas de grosso calibre ao lado de alvos da Justiça. Esta não foi sua primeira tentativa de burla: em 2023, ele já havia sido flagrado com documentos falsos em Pontes e Lacerda.
Megaestruturas de droga e tentativa de resgate na PCE
O histórico de “Virgulino” acumula investigações por crimes de alto impacto no estado:
Apreensão de drogas: Em outubro de 2025, a GCCO/Draco apreendeu quase duas toneladas de maconha em uma chácara vinculada a ele, culminando na prisão de quatro suspeitos.
Túnel para a PCE: Em 2022, seu nome foi citado na descoberta de um megatúnel de 257 metros cavado a partir de uma casa em Cuiabá em direção à Penitenciária Central do Estado (PCE), projetado para resgatar membros do alto escalão do CV.
Modalidade “Novo Cangaço”: Ele também é investigado por participação em roubos a instituições financeiras com cerco a cidades no interior.
O esquema “Raspa Brasil Nacional” e a falsa incapacidade mental
As investigações revelaram que “Virgulino” atuava como coordenador estadual do esquema de rifas e raspadinhas ilegais denominado “Raspa Brasil Nacional”. Ele definia as diretrizes financeiras, inspecionava tabelas de arrecadação por vídeo e ordenava o acionamento da “disciplina” (pressão ou agressão física) caso os comerciantes não repassassem as metas estipuladas.
Embora tenha apresentado laudos de incapacidade mental em processos judiciais anteriores para tentar livrar-se de responsabilizações, a Polícia Civil levantou provas de que ele gerenciava ativamente a facção à distância, realizando videochamadas, orientando comparsas e mantendo negócios ilícitos. Com base nessas evidências, a GCCO formalizou um pedido de revisão das avaliações médicas junto ao Poder Judiciário.
Com o retorno a Mato Grosso, o investigado permanece custodiado na PCE, onde fica à disposição da Justiça para o prosseguimento de suas ações penais.
Fonte: Click F5





