Polícia Civil esclarece assassinato de Lavínia em Poxoréu e aponta vereador como apoiador logístico do crime | Cliquef5

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Três meses de investigação levaram a Polícia Civil ao esclarecimento da dinâmica e da motivação do assassinato da jovem Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho (20), ocorrido no município de Poxoréu no mês de maio.

As principais informações sobre o caso foram apresentadas na manhã desta quinta-feira (13), durante coletiva de imprensa conduzida pelo delegado Dr. Honório Neto, da Delegacia de Homicídios de Primavera do Leste.

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Segundo o delegado, a investigação apontou que o crime teria sido determinado por uma liderança do Comando Vermelho, que atualmente está presa na Penitenciária da Mata Grande, em Rondonópolis. A polícia afirma que a jovem era suspeita de repassar informações às autoridades sobre integrantes da organização criminosa e, por esse motivo, teria sido submetida a uma espécie de “tribunal do crime”.

De acordo com Honório, a ordem era para que a execução ocorresse em local público, justamente para provocar medo e intimidar outras pessoas que eventualmente estivessem colaborando com as forças de segurança. “A motivação do crime ficou esclarecida que foi a mando de membros do Comando Vermelho”, afirmou o delegado durante a coletiva.

Vereador teria atuado como intermediário

Um dos principais avanços da investigação foi a identificação da participação de um então vereador de Poxoréu, Túlio César, que já havia sido preso temporariamente durante as investigações e voltou a ser preso nesta semana.

Conforme a Polícia Civil, ele teria prestado auxílio material à organização criminosa, sabendo previamente que uma execução seria realizada. Ainda segundo o delegado, o suspeito teria se colocado à disposição para buscar e retirar da cidade o executor do assassinato.

A investigação aponta que o executor teria vindo de fora de Poxoréu e permanecido escondido enquanto a vítima era monitorada.

A Polícia Civil afirma ter encontrado, por meio de análises e extrações de aparelhos celulares, diálogos entre o ex-vereador e a liderança criminosa que estaria comandando a ação de dentro da penitenciária.

Provas técnicas ligaram ex-vereador ao crime

Durante a coletiva, o delegado destacou que a participação do ex-vereador não foi estabelecida apenas por suspeitas.

Segundo Honório, as análises técnicas dos aparelhos celulares revelaram que o investigado tinha conhecimento prévio do plano e teria aderido voluntariamente à atuação da organização criminosa. “Ficou bem claro através de prova técnica que ele tinha pleno conhecimento, aderiu à conduta e se colocou à disposição”, explicou.

Ainda segundo a investigação, também foram identificadas conversas nas quais o suspeito estaria combinando versões que seriam apresentadas à polícia com outros investigados.

 

Cinco tiros e quatro atingiram a vítima

A investigação aponta que a vítima estava sendo monitorada antes da execução.

Quando Lavínia retornou ao estabelecimento comercial onde ocorreu o crime, as informações teriam sido repassadas ao executor. O homem foi até o local e efetuou cinco disparos de arma de fogo, sendo que quatro atingiram a jovem.

Segundo o delegado, a dinâmica da execução já havia sido previamente combinada entre os envolvidos.

A Polícia Civil ainda trabalha para identificar e localizar o homem apontado como executor dos disparos. Para isso, um novo inquérito policial foi instaurado, permitindo o aprofundamento das investigações e a identificação de outras pessoas que possam ter contribuído para o crime.

Adolescente também é investigada

Além da liderança criminosa e do ex-vereador, a Polícia Civil identificou a participação de uma adolescente.

Segundo Honório, a adolescente teria conhecimento de que Lavínia seria morta e teria aderido à conduta dos demais investigados.

Como se trata de menor de idade, a investigação será conduzida em autos separados, conforme as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Polícia confirma que Lavínia repassava informações

Durante a coletiva, o delegado também confirmou uma das questões que vinham sendo investigadas desde o início: segundo a Polícia Civil, ficou comprovado que Lavínia realmente repassava informações às autoridades.

A conclusão teria sido possível principalmente a partir da análise do aparelho celular da vítima e de outros dispositivos apreendidos durante as diferentes fases da investigação.

Segundo Honório, a jovem mantinha contato ou tinha proximidade com pessoas ligadas ao Comando Vermelho. A polícia também considerou o fato de a mãe da vítima trabalhar na Polícia Militar e de Lavínia, em algumas ocasiões, auxiliar em atividades de limpeza na unidade.

 

A Polícia Civil sustenta que a morte teria sido determinada justamente para proteger os interesses da organização criminosa e impedir o repasse de informações que poderiam prejudicar a atuação do grupo em Poxoréu.

Pelo menos quatro pessoas já foram identificadas

Até o momento, a investigação confirmou a participação de pelo menos quatro pessoas na dinâmica do crime: a liderança criminosa que teria determinado a execução, o ex-vereador apontado como responsável pelo apoio material, a adolescente e o executor dos disparos.

A identificação e responsabilização de outras pessoas, entretanto, ainda está sendo investigada.

“Pode ser que tenham mais pessoas envolvidas nessa execução”, explicou Honório, ressaltando que cada conduta será analisada individualmente para definir o grau de responsabilidade de cada investigado.

Investigados foram indiciados por homicídio qualificado e organização criminosa

Com a conclusão de parte do inquérito, a Polícia Civil indiciou a liderança criminosa e o ex-vereador por homicídio duplamente qualificado e organização criminosa majorada, conforme os elementos reunidos durante a investigação.

Entre as qualificadoras apontadas estão o motivo considerado torpe e a impossibilidade de defesa da vítima.

A Polícia Civil também apontou circunstâncias que podem elevar as penas relacionadas à organização criminosa, entre elas o emprego de arma de fogo e a participação de adolescente.

Segundo o delegado, em razão da conexão entre os crimes, o caso deverá ser submetido ao Tribunal do Júri.

Ex-vereador negou participação

O delegado informou que tanto o ex-vereador quanto a liderança criminosa presa na Penitenciária da Mata Grande foram interrogados nos últimos dias e negaram os fatos.

 



Fonte: Click F5