Como o tráfico coopta motoristas de caminhão para transformar as estradas de Mato Grosso em rota do crime | Cliquef5

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Foto-Ilustração-Web

Uma promessa de R$ 20 mil para transportar e entregar uma carga ilícita terminou com a prisão em flagrante de um motorista de 29 anos na BR-364, no município de Alto Garças (a 278 Km de Primavera do Leste). No caminhão-trator conduzido por ele, forças policiais encontraram 49 tabletes de skunk e 13 de pasta-base de cocaína. O caso coloca em evidência uma engrenagem decisiva na logística das facções criminosas: o recrutamento de condutores para escoar entorpecentes pelas rodovias que cortam Mato Grosso.

A interceptação ocorreu após uma ação integrada entre a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). As equipes flagraram o veículo em alta velocidade e realizando ultrapassagens proibidas. Ao receber ordem de parada, o motorista fugiu e tentou avançar o veículo pesado contra as viaturas policiais. A interceptação só foi possível após os agentes dispararem contra os pneus do caminhão.

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Questionado sobre a origem e o destino da carga, o suspeito manteve silêncio, limitando-se a relatar o valor de R$ 20 mil acertado para a entrega. O valor revela a dimensão financeira do transporte dentro da cadeia do narcotráfico, em que o motorista atua como o elo entre o fornecedor na fronteira ou região de produção e o distribuidor nos grandes centros.

Reincidência na BR-364 e o Contexto Recente em MT

O episódio de Alto Garças não é um fato isolado. Ele integra um padrão frequente observável nas estradas do Estado. Menos de um mês antes, em 15 de julho, a PRF interceptou, praticamente no mesmo trecho (km 48 da BR-364), um veículo de passeio transportando cerca de 75 kg de drogas (72 tabletes de skunk e um de cloridrato de cocaína). Naquela ocasião, o condutor admitiu ter retirado a carga em Alta Floresta do Oeste (RO) com destino a Uberlândia (MG) — um retrato nítido do papel de Mato Grosso como corredor de passagem interestadual.

A dinâmica de ocultação e uso das rodovias federais mato-grossenses tem se intensificado nos últimos três meses:

  • Recorde na BR-070 (Agosto/2026): Demonstrando a escala do fluxo rodoviário, a PRF realizou em Primavera do Leste uma das maiores apreensões dos últimos anos em MT, interceptando um caminhão com mais de 2,4 toneladas de drogas (1,9 tonelada de skunk e mais de 500 kg de derivados de cocaína).

  • Camuflagem no Transporte Cegonha (Julho/2026): Em Campo Verde, também na BR-364, a fiscalização encontrou 126 tabletes de cocaína escondidos em um automóvel de passeio que estava sendo transportado sobre uma cegonha rumo a São Paulo.

  • Vigilância na Fronteira (Junho/2026): Na faixa de fronteira, operações do Grupo de Fronteira (Gefron) em Pontes e Lacerda apreenderam 248 kg de cocaína antes que o entorpecente ganhasse o malha rodoviária rumo ao Sudeste.

O Elo Visível do Tráfico

A localização geográfica de Mato Grosso faz do Estado um nó estratégico para o crime organizado, conectando a fronteira internacional a corredores viários rumo ao Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

A prisão do motorista representa a ponta visível dessa engrenagem. Contudo, transformar o flagrante em um diagnóstico amplo exige investigações aprofundadas por parte da Polícia Civil e da Polícia Federal. A análise de aparelhos telefônicos, dados de rastreamento e registros de viagem do veículo apreendido é o caminho para responder às perguntas centrais: quem financia o frete, como é feito o aliciamento dos motoristas e quais são os destinos finais das cargas que cortam o asfalto mato-grossense.



Fonte: Click F5