O subtenente Juarez Cândido Silva, do 9º Batalhão da Polícia Militar, afirmou que entrou em contato com o homem procurado pelo feminicídio de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, com a intenção de facilitar a prisão.
Juarez prestou esclarecimentos à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta segunda-feira (17). Segundo ele, o contato com o suspeito ocorreu porque o homem já havia realizado serviços de manutenção em seu celular e, por isso, o número estava salvo em sua agenda. “Eu fiz a ligação na melhor das intenções para que pudessem fazer a detenção do Fabiano.”
O subtenente confirmou que conversou com o suspeito e afirmou que pretendia convencê-lo a se entregar para, posteriormente, acionar uma equipe policial. “Eu estava esperando um momento oportuno. Qual seria esse momento oportuno? Assim que ele falasse: ‘Não, eu quero me entregar’.”
Questionado sobre a possibilidade de o contato ter prejudicado as buscas, Juarez negou que tivesse intenção de favorecer o investigado. “Minha intenção era conduzir de forma que a gente conseguisse colocar as mãos nele.”
O militar também negou ter amizade ou proximidade com o suspeito e afirmou que não ofereceu qualquer tipo de benefício ou vantagem para ajudá-lo a escapar. “O fato de eu ter comigo o contato dele, que ele consertava meu celular, não significa que eu tenha oferecido algum benefício ou alguma vantagem para ele.”
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso informou que não procede a informação de que Juarez Cândido tenha sido detido por envolvimento na fuga do suspeito.
Segundo a corporação, o subtenente compareceu espontaneamente à DHPP para prestar depoimento e relatou que tentou estabelecer contato com o investigado para intermediar sua prisão e fornecer informações que pudessem auxiliar na localização dele.
O delegado Bruno Abreu, da DHPP, havia informado que o policial recebeu a informação de que o suspeito era procurado pelo feminicídio e, posteriormente, tentou contato com ele.
Segundo o delegado, o militar fez uma ligação e enviou um áudio pelo WhatsApp. O suspeito retornou a chamada e os dois permaneceram aproximadamente oito minutos em conversa.
Bruno Abreu afirmou que não é possível determinar, neste momento, o conteúdo da conversa. “O que ele falou com esse rapaz durante 8 minutos, eu não posso afirmar. Eu não sei o que ele falou.”
O delegado também questionou o fato de o militar não ter comunicado imediatamente a superior hierárquica sobre o contato. Ao comentar a conduta individual do policial, Bruno Abreu afirmou: “No meu entendimento, um policial jogando contra. Policial militar jogando contra.”
A Polícia Civil continua investigando a conduta do subtenente e mantém as buscas pelo suspeito do feminicídio.





