Promessa de água em Várzea Grande: vingança e traição política

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A promessa eleitoral de “levar água” para Várzea Grande feita pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição ao Governo, e pelo ex-governador Mauro Mendes (União), candidato ao Senado, esbarra na lógica dos fatos. Deixa o eleitor pronto para fazer a pergunta que não quer calar: se não fizeram por Várzea Grande em oito anos vão fazer agora, na hora da eleição?

Na verdade, a promessa eleitoral tem cara de vingança. Depois de Mauro Mendes trair o senador Jayme Campos (União), na convenção do partido, o passo seguinte agora é destruir a imagem do ex-aliado político. Pivetta e Mauro usam um problema estrutural da cidade cuja solução nunca foi realmente de prioridade no governo deles e muito menos, é fato, de todos os governos que passaram nos últimos 30 anos.

A recente entrada direta do governo estadual no debate sobre a água em Várzea Grande se deu através da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) Aliança pela Água, firmado em julho de 2026 entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Várzea Grande, o Ministério Público (MPMT) e o Tribunal de Contas (TCE-MT). Estas instituições, Tribunal de Contas e Ministério Público, estão sendo usadas como instrumento eleitoral de campanha.

DO BURACO DA MEMÓRIA

Na política, a farsa se repete sempre, apenas mudando os atores da cena eleitoral. Não é a primeira vez que a questão da água em Várzea Grande é usada como instrumento eleitoral para tentar capturar votos. Na eleição ao Senado, em 2006, Rogério Salles, então no PSDB, foi adversário de Jayme Campos na disputa ao Senado. O discurso de Rogério foi prometer a solução da falta de água em Várzea Grande. Não funcionou, Jayme venceu. Foi eleito senador da República em 2006 com 61% dos votos válidos. E com um detalhe: Jayme teve a maioria esmagadora dos votos dos várzea-grandenses.

Durante os mandatos de Mauro Mendes, os repasses e intervenções do Estado em Várzea Grande foram concentrados em infraestrutura viária (como a obra inacabada do BRT em lugar do VLT e novas pontes), reformas de unidades de saúde e construção de escolas, deixando o saneamento estritamente a cargo da gestão municipal. Ou seja, não fez antes, o que compromete a legitimidade da promessa eleitoral de agora.

PROBLEMAS CRÔNICOS DA REDE X CAPACIDADE DE PRODUÇÃO

Embora obras de Estações de Tratamento de Água (ETAs) tenham sido viabilizadas e inauguradas ao longo dos anos, o principal gargalo do município reside na rede de distribuição — com índices elevados de perda técnica, tubulações antigas e ligações clandestinas. Solucionar isso exige um investimento bilionário de substituição de malha que o DAE não consegue financiar sozinho e que não fazia parte dos convênios habituais do Estado.

JOGUETE DE VINGANÇA E TRAIÇÃO

A população de Várzea Grande não pode ser usada como peça do joguete de vingança e de traição política. Mauro Mendes vai carregar a marca de um líder que trai companheiros. E, uma ironia política, em cada gesto e em cada fala contra Jayme o resultado é deixar mais vivo na memória do povo a sua traição contra um aliado de primeira hora. Em pronunciamento no Senado, o senador Jayme Campos formalizou o afastamento ao pedir desculpas públicas por ter apoiado e apresentado Mendes ao eleitorado em 2018, alegando que o ex-governador se afastou das diretrizes e compromissos firmados com o grupo político no início da aliança. Jayme citou as denúncias envolvendo o chamado Escândalo da Oi e as operações da Polícia Federal.



Fonte: Pnb Online