
Foto-Reprodução-Web
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso extinguiu três representações movidas pela Federação União Progressista contra o ex-governador Pedro Taques por suposta propaganda eleitoral antecipada negativa. As decisões foram proferidas pela juíza auxiliar da propaganda eleitoral, Glenda Moreira Borges, motivadas por uma falha formal na instrução das ações.
O vício processual ocorreu porque a federação acionou o Poder Judiciário de forma isolada após já ter aprovado sua integração em uma coligação eleitoral majoritária. Pela legislação vigente e pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a formação de uma coligação faz com que ela passe a atuar com personalidade jurídica única no pleito, suspendendo temporariamente a legitimidade dos partidos ou federações integrantes para mover ações judiciais individualmente. Como as representações foram ajuizadas após a convenção de 4 de agosto de 2026 — data em que a federação aderiu à Coligação “Mato Grosso Não Pode Parar” —, a magistrada reconheceu a falta de legitimidade da autora e encerrou os processos sem julgamento do mérito.
As ações questionavam conteúdos publicados nas redes sociais por Pedro Taques — candidato ao Senado — direcionados ao atual governador e também pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes.
Vídeos no Instagram: A primeira representação contestava publicações temporárias nas quais Taques afirmava que teriam ocorrido desvios e apropriações de recursos públicos envolvendo familiares de Mendes.
Vídeo sobre lavagem de dinheiro: A segunda ação apontava uma publicação do ex-governador associando a gestão estadual a crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Declarações da Operação Heritage: A terceira representação atacava trechos de uma coletiva transmitida por Taques sobre a apuração de um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo do Estado e a empresa Oi, ocasião em que alegou que o pré-candidato tinha ciência de eventuais irregularidades no caso.
Com a extinção dos processos por vício formal, o Tribunal Regional Eleitoral não chegou a avaliar se o teor das postagens de Pedro Taques configurava ou não infração às regras de propaganda eleitoral.
As acusações que motivaram o embate judicial e a troca de farpas entre os dois ex-gestores de Mato Grosso desenrolaram-se a partir de um cenário de alta tensão política e operações policiais recentes no estado:
Eclosão da Operação Heritage (Agosto de 2026): A Polícia Federal deflagrou a Operação Heritage para apurar indícios de desvios, lavagem de dinheiro e utilização de fundos de investimento em um acordo tributário de R$ 308 milhões firmado entre o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi. A apuração colocou o governador Mauro Mendes sob os holofotes do debate político estadual.
Defesa e Reação do Governo: Mauro Mendes reafirmou publicamente a legalidade do acordo conduzido pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), negando qualquer irregularidade ou obtenção de vantagem indevida, colocando-se à disposição para colaborar com o trabalho da Polícia Federal.
Uso Político e Pedidos de Medidas Cautelares: Pedro Taques tem utilizado suas redes sociais para intensificar os ataques ao grupo político do governador com base no desdobramento das investigações da PF. Além das manifestações públicas, Taques protocolou manifestações junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrando providências e desdobramentos na apuração.
Corrida ao Senado em MT: O embate jurídico reflete a antecipação da disputa eleitoral de 2026 pelas vagas de Mato Grosso no Senado Federal, com acusações diretas sobre moralidade administrativa e uso da máquina pública.
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Fonte: Click F5



