Entre polêmicas políticas e cachês milionários financiados pelo Estado Ana Castela volta a BVarretos | Cliquef5

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Foto-Reprodução-Web

Após se apresentar na Expo São Fidélis, no interior do Rio de Janeiro, a cantora Ana Castela retornou à Festa do Peão de Barretos (SP). Nas redes sociais, a artista minimizou a logística corrida afirmando que deixou temporariamente o evento paulista apenas para “trabalhar”.

A passagem pelo município fluminense, contudo, ficou marcada por controvérsias políticas e orçamentárias. O show ocorreu dias depois de a “Boiadeira” publicar uma foto ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), na qual ambos faziam o gesto do número 22 com as mãos — alusão ao número de urna do Partido Liberal.

O cachê de R$ 850 mil pago à cantora em São Fidélis foi viabilizado por uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão enviada pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. A verba federal atendeu a um pedido da deputada Dani Cunha (PL-RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. O município onde o evento ocorreu é gerido pelo prefeito José William, correligionário de Nikolas e Dani no PL.

Milhões em Contratos Públicos 

O caso de São Fidélis não é isolado. Dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) apontam que, por meio de sua empresa (Boiadeira Music), Ana Castela já firmou 26 contratos com prefeituras em 2026, totalizando R$ 22,6 milhões em recursos municipais. A maior fatia dessas contratações parte de gestões do PSD, seguidas por PP e PSDB. Em Nova Belém (MG), por exemplo, o show contratado por R$ 900 mil comprometeu 8,7% de todo o repasse anual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) recebido pela cidade.

Esse volume expressivo de recursos públicos no mercado sertanejo insere-se em um debate mais amplo que vem se intensificando nos últimos três meses:

  • Uso de Emendas para Shows: Em julho de 2026, investigações da Polícia Federal revelaram o uso reiterado de emendas parlamentares do Orçamento da União para financiar festivais de música sertaneja em cidades de pequeno porte no interior do país, reacendendo debates sobre a priorização de gastos locais.

  • Concentração de Recursos: Levantamento divulgado no mesmo mês apontou que 40 grandes nomes da música brasileira receberam cerca de R$ 3 bilhões de cofres públicos municipais e estaduais entre 2024 e 2026, com forte hegemonia do sertanejo.

  • Investigações de Órgãos de Controle: Auditorias recentes de Tribunais de Contas estaduais (TCEs) vêm mapeando a falta de critérios nas contratações por inexigibilidade de licitação, modalidade frequentemente usada para bancar os cachês das principais atrações do gênero em eventos regionais.

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Fonte: Click F5