
Foto-Ilustração-Web
O ciclo de violência contra as mulheres em Mato Grosso começa de forma precoce, revela um estudo do Instituto de Pesquisa DataSenado, realizado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência. O levantamento entrevistou 810 mulheres a partir de 16 anos e apontou que 31% relataram ter sofrido violência doméstica provocada por homens ao longo da vida. Para 40% das vítimas, a primeira agressão ocorreu antes mesmo de completarem 19 anos.
A pesquisa aponta a distribuição etária do primeiro episódio de violência:
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Antes dos 19 anos: 40%
Entre 20 e 29 anos: 32%
Entre 30 e 39 anos: 12%
Entre 40 e 49 anos: 7%
Entre 50 e 59 anos: 2%
60 anos ou mais: 1%
Apenas 32% das entrevistadas recorreram à polícia ou formalizaram denúncia após as agressões. A maior parte das vítimas buscou apoio informal ou serviços de assistência: família (57%), igreja (53%), amigos (52%), apoio psicológico (41%) e serviços de saúde (34%).
O estudo reforça a proximidade do agressor: 59% informaram que a violência foi praticada pelo marido ou companheiro, 15% por ex-parceiros, 10% por pais ou padrastos e 6% por namorados. Sentimentos de ciúme e o inconformismo com o fim de relacionamentos foram citados como os fatores mais frequentes nas agressões mais graves. Em relação aos tipos de violência sofridos, a psicológica lidera com 88%, seguida de agressões físicas (84%), morais (70%), patrimoniais (40%) e sexuais (25%).
Os dados revelados pelo DataSenado explicam um cenário de subnotificação e violência recorrente que culmina nos índices observados no estado:
Subnotificação e Ausência de Medidas de Proteção: Levantamentos de órgãos de segurança e do Observatório Caliandra (MPMT) indicam que mais de 75% das vítimas de feminicídio registradas no estado este ano não possuíam medida protetiva e nem haviam feito boletim de ocorrência prévio, convergindo com o dado do DataSenado de que apenas 32% buscam apoio policial de imediato.
Escalada dos Casos de Feminicídio: Mato Grosso ultrapassou a marca de 30 feminicídios acumulados durante o ano. Junho e agosto registraram picos de ocorrências violentas promovidas por parceiros e ex-parceiros.
Impacto Social e Órfãos da Violência: Além do número expressivo de mortes, a violência doméstica contínua resultou em mais de 40 crianças e adolescentes órfãos no estado no mesmo período, expondo o impacto profundo e duradouro do problema nas famílias mato-grossenses.
Fonte: Click F5





