investigação expõe vida dupla de missionária ligada à cúpula do Comando Vermelho em MT | Cliquef5

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Segundo a apuração, Rhavenna Barcelos de Almeida e seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, integravam o projeto evangélico “Resgatando Vidas”, autorizado pelo Governo do Estado a prestar assistência espiritual em unidades prisionais. Contudo, a polícia aponta que a atividade evangelística era utilizada como fachada para estreitar laços com o crime organizado.

Acesso a presídios sob suspeita

As apurações demonstraram que o grupo se aproveitava do trânsito livre nos pavimentos para contatar detentos de alta periculosidade custodiados na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Segundo os investigadores, a família atuava:

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  • Transportando recados e orientações da cúpula para o exterior da unidade;

  • Cedendo contas bancárias para a movimentação e dissimulação de valores oriundos do tráfico de drogas;

  • Ocultando bens de origem ilícita adquiridos pela organização criminosa.

Durante a execução da Operação Fariseus, deflagrada em julho de 2026, a polícia cumpriu mandados de busca e efetuou a prisão preventiva de Rhavenna. A perícia em dispositivos eletrônicos apreendidos revelou fotos, vídeos, áudios e trocas de mensagens que comprovam a proximidade de Rhavenna com integrantes da facção. Em algumas das imagens, a missionária aparece empunhando armas de fogo, exibindo joias, montantes em dinheiro vivo e posando ao lado de veículos de luxo.

Elos amorosos e apoio a foragido da Justiça

Entre as lideranças com as quais Rhavenna manteve contato direto está Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”. Apontado como um dos chefes do Comando Vermelho em Mato Grosso, Batman progrediu para o regime semiaberto em setembro de 2024, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Rio de Janeiro.

As provas colhidas pela Draco apontam que a missionária mantinha um relacionamento amoroso com o foragido, visitando-o com frequência em solo carioca em viagens custeadas pelo crime. Mensagens de texto mostram que ela sabia a exata localização de Batman e o alertava sobre operações policiais em andamento no Complexo do Alemão.

Além de Batman, o inquérito identificou o envolvimento de Rhavenna com Renildo Silva Rios, considerado um dos fundadores da facção criminosa em Mato Grosso e custodiado há mais de 20 anos. As interceptações indicam que Renildo presenteava a investigada com joias e automóveis, mantendo forte influência sobre suas ações.

Padrão de vida e ramificação do esquema

A investigação destaca o forte contraste entre a atuação missionária e a rotina de ostentação mantida por Rhavenna. Um dos automóveis exibidos por ela nas redes sociais — um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil — pertencia, segundo a polícia, a Jonas (“Batman”).

A Draco investiga ainda a participação de outras mulheres envolvidas em atividades de assistência religiosa na PCE que teriam estabelecido vínculos com detentos. Algumas delas foram indiciadas por falso testemunho após prestarem depoimentos contraditórios.

Desdobramentos judiciais e manifestação das defesas

O Ministério Público de Mato Grosso formalizou a denúncia contra Rhavenna Barcelos de Almeida, Orminda de Almeida e Renildo Silva Rios pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O pastor Nivaldo de Almeida também figurava entre os indiciados originais, mas faleceu recentemente em decorrência de complicações de um câncer.

Por determinação judicial, os investigados e outros quatro citados no inquérito foram sumariamente proibidos de ingressar em qualquer unidade prisional do estado para prestar assistência religiosa. Em resposta ao escândalo, a Secretaria de Estado de Justiça (Seju-MT) anunciou o reforço nas rotinas de fiscalização na Penitenciária Central de Cuiabá.

  • Defesa de Rhavenna Barcelos: Declarou que nega categoricamente as acusações e sustenta que a inocência da investigada será demonstrada no curso da instrução processual.

  • Defesa de Orminda de Almeida: Afirmou que sua cliente não possui qualquer tipo de ligação com a facção criminosa citada. 

  • Investigação integra a Operação Fariseus, deflagrada em julho de 2026 pela Polícia Civil de Mato Grosso (Draco), na qual Rhavenna Barcelos de Almeida foi presa preventivamente. O projeto evangélico sob investigação chamava-se “Resgatando Vidas”. Recentemente, o pastor Nivaldo de Almeida faleceu em decorrência de um câncer. O caso ganhou repercussão nacional em reportagem exibida pelo Fantástico (Rede Globo).

     



Fonte: Click F5