Líderes do CV chamavam “missionária” de “mãe” em cartas e pediam guarda de dinheiro e objetos » Esportes & Notícias

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Cartas escritas por presos e diálogos interceptados pela investigação apontam que Orminda Carlos de Barcelos Almeida, mãe de Rhavenna Barcelos de Almeida, teria mantido contato e prestado auxílio a integrantes de uma facção criminosa. Segundo os documentos analisados, detentos chegaram a chamá-la de “mãe” nas correspondências e fizeram pedidos para que ela guardasse dinheiro e objetos destinados ao sistema prisional.

A apuração cita três cartas encaminhadas a Rhavenna por presos identificados como Júlio, Júnior e Escobar. Nas mensagens, os detentos tratam Orminda como “mãe” e solicitam que ela receba valores e objetos entregues por terceiros e posteriormente leve os itens até o presídio.

Para os investigadores, os pedidos indicam que Orminda exerceria uma função de apoio aos integrantes presos. O relatório sustenta ainda que os valores e objetos recebidos teriam origem ilícita, uma vez que seriam entregues por pessoas que mantinham dívidas com os detentos e que os presos não exerciam atividade remunerada dentro da unidade prisional.

A investigação também identificou outra situação semelhante em uma carta datada de 30 de junho de 2026. Na correspondência, um preso identificado como Júlio teria pedido a Rhavenna que guardasse um relógio e um pen drive que seriam deixados na residência dela.

Para a investigação, o episódio reforça a suspeita de que o armazenamento de objetos para presos não seria uma situação isolada, mas uma prática recorrente envolvendo as mulheres.

Conversas registradas em fevereiro de 2026 também são apontadas como indícios de que Orminda receberia benefícios em razão do suposto auxílio prestado ao núcleo criminoso.

Em diálogo de 10 de fevereiro, Orminda comenta com Rhavenna que um homem conhecido como “Vovozona” havia sido alvo da Operação Imperium. Segundo a conversa, ele não teria sido preso, mas teve bens apreendidos.

Na sequência, Rhavenna encaminha à mãe um comprovante de transferência bancária. Ao ser questionada sobre a finalidade do dinheiro, ela responde que o valor seria destinado ao pagamento de um carro e afirma que o responsável havia enviado a quantia para quitar uma parcela.

Orminda então demonstra interesse em falar diretamente com o homem, enquanto Rhavenna explica que ele estava na quadra e seria chamado quando retornasse à cela. Ao final da conversa, Rhavenna destaca que, pelo menos, ele estaria pagando o veículo. As conversas analisadas também mostram a organização de visitas a integrantes do grupo que estavam presos.

Em 27 de fevereiro de 2026, Rhavenna conversa com a mãe e pede que ela chame o pai para que os dois possam visitar “Sandro Louco”.

Já em 10 de abril, Rhavenna volta a falar com Orminda sobre as visitas e pede que ela combine com o pai uma divisão dos dias de ida ao presídio. Na ocasião, Rhavenna afirma que precisava conversar com Renildo.

Para a Polícia, o conjunto de cartas, conversas e movimentações financeiras deve ser analisado em conjunto com os demais elementos reunidos no inquérito para esclarecer o papel de cada investigado e a possível estrutura de apoio mantida fora do sistema prisional.

Fonte: Esporte e Notícias