
Detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, mantinham uma rotina de correspondências com pedidos que iam muito além do amparo espiritual, direcionados à missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida – presa em 16 de julho deste anos, por suspeita de envolvimento com a organização criminosa Comando Vermelho (CV). Cartas manuscritas enviadas do presídio traziam instruções para reter depósitos via Pix, esconder pen drives e entregar relógios e bíblias, sempre endereçadas com afeto a “Piu”, apelido que usavam para se referir à investigada.
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Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida
Conforme publicado pelo , Rhavenna, a mãe, duas irmãs e um primo foram formalmente denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro que beneficiava lideranças do CV. O núcleo familiar teria se aproveitado do projeto religioso “Resgatando Vidas” como elo logístico e financeiro para a cúpula da facção no estado.
As correspondências foram fotografadas pela própria Rhavenna, extraídas do celular da missionária após a quebra do sigilo telemático e anexadas ao relatório da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil. Em uma das cartas, um reeducando orienta Rhavenna a avisar a mãe, Orminda de Almeida, sobre a entrada de transferências bancárias na conta dela, a fim de que o montante fosse guardado para ele.
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Imagens de algumas das cartas apreendidas
Na carta, o interno saúda “Piu”com “a paz do senhor”, e a menciona como “minha irmã querida”. Em seguida, ele se refere a Orminda e ao pai de Rhavenna, o pastor Nivaldo Almeida – que faleceu no último dia 5 por complicações de um câncer -, como “mamãe” e “papai”. No registro, ele ainda solicita o envio de um relógio e de uma bíblia, acenando com a promessa de uma “bênção” como contrapartida pelo suporte.
Dinâmica semelhante aparece em outro bilhete, assinado por um segundo detento, no qual ele também pede a guarda de um relógio, além de um pen drive entregue por uma terceira pessoa em razão de uma dívida. O interno também se refere carinhosamente a “Piu” como “minha irmã querida, maravilhosa, cheirosa, linda”.
O segundo detento também se refere a Orminda como “mamãe” e a Nivaldo como “papai”. Ele orienta Rhavenna a avisar Orminda para receber e guardar os itens e pede à jovem que também transmita um recado a Nivaldo, dizendo estar orando por ele, provavelmente se referindo ao estado de saúde do pastor. Por fim, ele ainda pede que Rhavenna vá visitá-lo para buscar um presente acompanhada de “Lolo” – apelido de Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, irmã da jovem e uma das denunciadas pelo MPMT.
A carta de um terceiro detento repete a dinâmica. Ele saúda “Piu” com a expressão “a paz do Senhor” e pede que “mãe” – em referência a Orminda – pegue o dinheiro dele para lhe comprar um relógio: “estou sem”, escreveu na correspondência. “Fala para ela ajudar o filho dela, porque realmente estou precisando […] faz isso pelo seu irmão, minha irmã que tanto amo”, completou.
O terceiro interno também afirmou ter feito presentes para a família de “Piu”, referiu-se ao grupo como se fosse sua própria família e mencionou os apelidos de Lo Rhuama e de Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, a “Taninha” – outra irmã de Rhavenna também denunciada pelo MPMT -, apontando-as entre as presenteadas.
As cartas salvas no armazenamento em nuvem de Rhavenna, acompanhadas do número de telefone pessoal da investigada e de referências a parentes próximos, chamaram a atenção dos investigadores pela menção recorrente aos mesmos objetos e pela constatação de que familiares eram acionados de forma rotineira para intermediar bens e valores ilícitos.
Com a repetição dos termos “relógio” e “bíblia” em diferentes correspondências, a polícia suspeita do uso de linguagem codificada e aponta que o fato demanda aprofundamento investigativo.
A análise do acervo telemático autorizada pela Justiça evidenciou que a proximidade de Rhavenna e sua família com os encarcerados extrapolou os contornos da assistência religiosa e se transformou em uma rede de privilégios, convivência afetiva e circulação financeira.
O caso
Conforme publicado pelo , o relatório também revelou que a missionária mantinha um relacionamento amoroso com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso e detento na PCE. Ela possui uma tatuagem com a inicial do nome dele e também mantinha uma peça íntima escrita “Velhote”, alcunha pelo qual o suspeito é conhecido.
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Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida e Renildo Silva Rios
Antes de Renildo, Rhavenna se relacionou com Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como Batman, também apontado como liderança da organização criminosa. Por meio do grupo de evangelização, ela e a mãe conseguiam acesso a presos de diferentes raios.
Família denunciada pelo MP
Rhavenna, a mãe, duas irmãs e um primo foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, em Cuiabá. Veja os nomes abaixo:
Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida: denunciada por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa; apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação entre presos e integrantes da organização fora das unidades prisionais e também teria participado da movimentação de dinheiro.
Orminda Carlos de Barcelos Almeida: mãe de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Investigada por auxiliar na comunicação com presos, no recebimento de valores e na suposta lavagem de dinheiro.
Renildo Silva Rios: vulgo “Veio”, “Velho” e “Chapa”, apontado como namorado de Rhavenna; denunciado por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Seria integrante do Comando Vermelho. Teria sido uma das principais fontes dos valores.
Rhuan Barcelos da Conceição: primo de Rhavenna; denunciado por lavagem de dinheiro. Seria um dos responsáveis por armazenar dinheiro em espécie, em sua casa, e, posteriormente, entregá-los para Rhavenna.
Anatany Nina de Barcelos Souza Alves: irmã de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro. Ela ajudaria na realização de depósitos e movimentações bancárias.
Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, vulgo “Lolo”: também irmã de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro. Acusada de participar da movimentação dos valores e de receber benefícios financeiros e materiais.
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Fonte: RD News





