
A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso na Operação Fariseus revelou um esquema em que a assistência espiritual prestada pelo projeto voluntário “Resgatando Vidas” servia de fachada para operações criminosas. Em vez de limitar-se ao trabalho religioso, um grupo de missionárias atuava como elo logístico e financeiro entre lideranças da maior facção do estado — custodiadas no raio de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá (a 234 Km de Primavera do Leste)— e seus comparsas em liberdade.
Provas obtidas no grupo de WhatsApp intitulado “As Faixa Rosa Evangélica” mostram o loteamento de detentos entre as integrantes, a coordenação de visitas íntimas e o repasse contínuo de recados estratégicos. O caso ilustra três frentes críticas da segurança pública atual:
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Desarticulação de Redes Externas: A ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público visa estrangular o fluxo de caixa e a rede de contatos que mantêm a influência de chefias presas sobre as ruas.
Fiscalização no Sistema Prisional: A revelação do esquema reacendeu o debate sobre a necessidade de cadastramento rigoroso de ONGs e entidades religiosas em presídios de segurança máxima, além de reforçar o apelo pela ampliação de bloqueadores de sinal telefônico.
Conexões Interfederais: Os registros de viagens e contatos frequentes com o Rio de Janeiro confirmam a aliança estruturada entre organizações criminosas do Centro-Oeste e do Sudeste.
O desdobramento da Operação Fariseus insere-se em um movimento mais amplo observado nas investigações de segurança pública nos últimos três meses no Brasil:
Infiltração em Organizações da Sociedade Civil (OSCs): Operações recentes das forças policiais e do Ministério Público em diversos estados têm focado no uso de entidades de assistência social, voluntariado e cooperativas como fachadas para lavagem de dinheiro e comunicação logística de facções.
Endurecimento de Regras para Visitas Prisionais: Tramita nos tribunais estaduais e nos órgãos de administração penitenciária uma revisão dos protocolos de acesso a presídios de segurança máxima, impulsionada por relatórios de inteligência que apontam a exploração de brechas nas visitas religiosas e advocatícias.
Cooperação Interestadual e Federal: O combate às rotas de financiamento e aos eixos de comunicação entre o Centro-Oeste e o Sudeste (com foco nas conexões Rio-São Paulo-Mato Grosso) tornou-se prioridade integrada da Polícia Federal e das secretarias estaduais de segurança.
Fonte: Click F5





