Juiz diz que coronel Caçadini montou “verdadeira célula de homicídio” para matar Zampieri | RepórterMT

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Rodrigo Moura/TJMT

Caçadini foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão.

DO REPÓRTERMT

O juiz José Mauro Nagib Jorge afirmou que o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas participou da estruturação de uma “verdadeira célula de homicídio” montada para executar o advogado Roberto Zampieri. A avaliação consta na íntegra da sentença que condenou Caçadini a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão.

Ao fundamentar a pena, o magistrado afirmou que Caçadini não teve participação periférica na trama. Segundo a sentença, as provas demonstraram que ele exerceu “papel central na organização da empreitada criminosa”, atuando como intermediador entre os mandantes e os responsáveis pela execução.

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Nagib destacou ainda a trajetória profissional do réu. Caçadini é coronel da reserva do Exército e já exerceu cargo de secretário de Estado de Segurança Pública. Para o juiz, justamente essa experiência tornou a conduta ainda mais reprovável.

“O acusado valeu-se da experiência adquirida ao longo da carreira militar e da gestão da segurança pública para estruturar e viabilizar a execução do homicídio”, registrou a sentença.

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Em outro trecho, o magistrado usa uma expressão ainda mais incisiva ao descrever a organização atribuída ao coronel. “As circunstâncias operacionais sob o comando do réu revelam a estruturação de uma verdadeira célula de homicídio.”

Segundo a decisão, Caçadini teria gerenciado o crime a partir de suas empresas de inteligência e segurança sediadas em Belo Horizonte. O juiz cita levantamento do alvo a mais de mil quilômetros de distância, gerenciamento financeiro e comando remoto como elementos que elevaram a gravidade de sua participação.

A sentença também aponta Caçadini como gestor financeiro da empreitada ao analisar a agravante relacionada ao homicídio praticado mediante paga ou promessa de recompensa.

Durante o julgamento, Caçadini negou participação no assassinato. Disse que conhecia Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa por meio da Frente Ampla Patriótica (FAP), mas sustentou que nunca conheceu Zampieri e que sequer tinha ouvido falar no advogado antes da repercussão do crime.

Os jurados, porém, acolheram a tese da acusação e condenaram Caçadini, Antônio e Hedilerson por homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa, recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito.

Caçadini recebeu pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias. Antônio, apontado como executor dos disparos, recebeu a mesma pena. Hedilerson, considerado pelo juiz o elo logístico da execução, foi condenado a 25 anos de reclusão.

Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Conforme reconhecido pelo Conselho de Sentença, tratou-se de um homicídio contratado e executado de forma a dificultar qualquer possibilidade de defesa da vítima.



Fonte: Repórter MT