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Com fertilizantes que respondem por cerca de 38% do custo de produção do algodão e um consumo de defensivos por hectare que pode chegar a três vezes o da soja, a disputa por margem começa antes mesmo do plantio. É nesse ponto que a AgriConnection pretende avançar ao ampliar no Brasil o modelo de “desintermediação” que conecta fabricantes globais de insumos a distribuidores, cooperativas, revendas e produtores.
A estratégia será apresentada pela empresa durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, entre 22 e 24 de setembro, em Belo Horizonte. Além de levar um portfólio próprio e aquisição de registros de ativos, a companhia pretende discutir como a abertura de novas origens de fertilizantes e defensivos pode aumentar as opções disponíveis no mercado, reduzir custos e etapas na cadeia de comercialização.
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O modelo de desintermediação é a pedra fundamental da AgriConnection desde a sua fundação, há cerca de sete anos, no mercado de defensivos. A empresa identificou fabricantes internacionais, principalmente na China e na Índia, que produziam insumos comercializados no Brasil, mas acessavam o mercado nacional por meio de grandes multinacionais.
A AgriConnection passou a atuar como representante dessas indústrias e elo com consumidores brasileiros. “Na prática, trazemos da indústria que produz para quem consome, seja distribuidor, cooperativa ou venda direta, tirando, os atravessadores do caminho, onde uma grande parte da margem ficava alocada anteriormente”, explica o diretor comercial (CCO) e sócio da AgriConnection, Evaldo Pereira de Carvalho Junior.
Segundo o executivo, quando o modelo começou a ser implantado, a margem retida nos atravessadores era na faixa de 10% a 12%. No modelo ofertado, parte deste percentual é compartilhado com o mercado e repassado aos clientes. Em 2025, a aposta foi levar a mesma lógica para os fertilizantes, mercado que, segundo o executivo, ainda é concentrado em poucos grandes fornecedores.
“A nossa ideia é trazer novos jogadores para esse mercado e promover a simplificação das negociações complexas de fertilizantes, criando conexões. Por exemplo, trazer um fornecedor chinês que não está no Brasil ou que atua aqui apenas no B2B, com grandes indústrias, e inseri-lo no mercado brasileiro por meio da nossa força de vendas”, afirma.
Algodão amplia peso da estratégia
O algodão é uma das culturas em que esse modelo pode ganhar maior relevância devido à elevada demanda de insumos. “Hoje, o algodão é uma das culturas mais técnicas dentro do agronegócio brasileiro. A cultura do algodão tem uma capacidade de consumo de três vezes mais defensivos agrícolas do que a soja”, afirma Evaldo.
Apesar de ocupar uma área menor do que soja e milho no país, o diretor destaca que o volume de insumos necessário por hectare torna a cultura um alvo para fornecedores. Segundo o diretor comercial de Fertilizantes da AgriConnection, Rafael Almeida, os insumos representam cerca de 38% do custo de produção do algodão neste ciclo.
A estimativa é de alta no custo final de produção da cultura, puxada principalmente pelos fosfatados. “O preço do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados, chegou a ficar sete vezes mais caro desde o início do conflito internacional, pressionando produtos como MAP, superfosfato simples e superfosfato triplo”, destaca.
Para Rafael, diante da dificuldade de prever os efeitos da geopolítica sobre preços e disponibilidade, o produtor precisa concentrar esforços nos fatores que consegue administrar.
“O produtor tem que se atentar aos momentos de tomada de decisão. Tudo o que ele puder fazer para mitigar risco e usar ferramentas que mitiguem risco vai ajudá-lo a ser mais competitivo em termos de resultado”, afirma.
Nesse processo, segundo Almeida, o papel da empresa passa por ampliar alternativas de fornecimento, crédito e apoio à decisão de compra. “Nosso papel como AgriConnection Fertilizers é trazer essa competitividade para os negócios, trazer novos modelos de acesso a crédito e mais fornecedores confiáveis para dentro da nossa rede. Quando a gente trabalha com fornecedores confiáveis em fertilizantes, mitiga o risco da não entrega”, diz Rafael.
Criada em 2025, a AgriConnection Fertilizers negociou 130 mil toneladas de fertilizantes em seu primeiro ano de atividade e movimentou cerca de R$ 250 milhões em negócios. Para 2026, a projeção é aumentar o valor transacionado e ultrapassar os R$ 320 milhões.
Novas origens e fontes alternativas
Além da abertura de fornecedores, a estratégia inclui a busca por fontes alternativas de nutrientes. No algodão, a AgriConnection Fertilizers trabalha atualmente com MAP purificado proveniente do Marrocos como fonte complementar de fósforo solúvel, KCL de origem canadense e SAM com origem chinesa.
“Buscamos fontes alternativas de nutrientes e diferentes matérias-primas para o produtor, não só para fazer a conta da competitividade, mas também para trazer um pouco mais de tecnologia. Nosso portfólio está orientado para a relação competitividade versus produtividade”, afirma Rafael.
Sobre a AgriConnection
Nascida em Campo Verde, em Mato Grosso, a AgriConnection é uma rede de acesso que conecta o agronegócio brasileiro a indústrias globais, com atuação nos mercados com portfólio próprio de defensivos agrícolas, nutrição, fertilizantes e biológicos. A companhia trabalha na aproximação entre fabricantes e compradores brasileiros, combinando acesso a fornecedores, inteligência de mercado, negociação e logística para ampliar as alternativas disponíveis a distribuidores, cooperativas, revendas e produtores. Em 2025, a AgriConnection alcançou R$ 1,8 bilhão em faturamento.
Fonte:Estadão MT





