‘Angeliquinha’ vivia em casa com piscina e seria sustentada por dinheiro do tráfico, diz GCCO

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Apontada pela Polícia Civil como liderança do Comando Vermelho no norte de Mato Grosso, foragida foi presa em Santa Cruz de la Sierra; investigação também apura movimentação milionária ligada à família

A Polícia Civil de Mato Grosso investiga como Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, manteve uma rotina de luxo enquanto permanecia foragida na Bolívia. Segundo a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), ela foi presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, depois de mais de um ano fora do sistema prisional brasileiro.

De acordo com o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, Angélica morava em uma residência considerada luxuosa, com piscina, e a suspeita da investigação é de que os recursos usados para manter esse padrão de vida eram provenientes de atividades criminosas, especialmente do tráfico de drogas ligado à região de Alta Floresta.

A Polícia Civil afirma que, mesmo fora do Brasil, Angélica continuava exercendo influência sobre integrantes da facção criminosa na região norte de Mato Grosso. Conforme a investigação, ela mantinha contato com membros que estariam abaixo dela na estrutura hierárquica e seguia dando ordens relacionadas às atividades do grupo.

MOVIMENTAÇÃO MILIONÁRIA

A apuração também alcançou familiares de Angélica. Segundo declarações do delegado, uma filha da investigada teria movimentado aproximadamente R$ 20 milhões em dois anos, apesar de não possuir renda formal compatível com esse volume financeiro.

A família já havia sido alvo da Operação Showdown, investigação voltada para suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes. Fontes policiais também apontam a existência de veículos e imóveis de alto valor vinculados ao núcleo investigado.

Após a prisão da mãe, a filha fez uma publicação nas redes sociais pedindo proteção para Angélica e afirmando reconhecer que as condutas atribuídas a ela não seriam corretas, mas ressaltando a relação familiar.

LIDERANÇA NO NORTE DE MATO GROSSO

Segundo a Polícia Civil, Angélica é apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Alta Floresta e municípios da região.

O delegado responsável pelas investigações afirmou que ela teria influência sobre diferentes frentes criminosas, envolvendo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e homicídios. Segundo a autoridade policial, aproximadamente 80% dos homicídios atribuídos à facção criminosa em Alta Floresta e cidades próximas teriam relação com ordens dela. Trata-se de uma afirmação da investigação policial, que deverá ser analisada nos procedimentos e processos correspondentes.

Angélica estava foragida desde agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Ela possuía seis mandados de prisão em aberto e condenações que, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, somam cerca de 260 anos de prisão.

POLÍCIA APURA ATUAÇÃO NA FRONTEIRA

A permanência da investigada em Santa Cruz de la Sierra também chamou a atenção da GCCO. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que sua localização na Bolívia pudesse ter relação com a dinâmica do tráfico internacional de drogas.

O delegado informou que dados telemáticos e outros elementos serão analisados para descobrir se Angélica participava diretamente de negociações, entrada e saída de drogas ou de outras atividades ligadas à facção na Bolívia. Até o momento, essa atuação específica continua sendo objeto de investigação.

PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS E DOCUMENTO FALSO

Outra linha destacada pela Polícia Civil é que Angélica teria realizado mais de cinco procedimentos estéticos no rosto durante o período em que permaneceu na Bolívia.

A suspeita dos investigadores é de que as mudanças físicas tivessem o objetivo de dificultar sua identificação. No momento da prisão, ela também teria apresentado documentação falsa. A Polícia Civil, no entanto, informou que já havia feito o trabalho de identificação visual antes da captura.

A prisão ocorreu em uma ação que envolveu equipes da GCCO, Draco, Polinter e autoridades bolivianas. Os procedimentos para definir sua transferência ao Brasil estão sendo tratados entre as autoridades dos dois países.

Fonte: Lapada Lapada