
TJMT
Réu confesso pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, Antônio Gomes da Silva afirmou, durante o Tribunal do Júri, nesta quarta-feira, 30 de setembro, que cometeu o crime movido pela intenção de “fazer justiça”.
Em depoimento, ele disse que ficou feliz ao saber, após ser preso, que a vítima não era considerada uma boa pessoa pelos policiais que o abordaram. “Quando cheguei aqui, depois de preso, os policiais falaram o senhor matou uma pessoal bem relevante aqui. Aí eu perguntei, ele era uma boa pessoa? Eles disseram não. Então eu fiquei feliz”, disse.
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“Quando eu vi o tamanho do estrago que essa pessoa estava fazendo aqui, a gente ouve vozes né. Eu cometi esse pecado. Meu desejo é que todos os corruptos esteja na paz eterna o quanto antes”, completou.
Antônio disse que acompanha a política desde criança e que, em 2023, acontecimentos relacionados à política nacional despertaram nele a percepção de que o país estaria sendo tomado pela corrupção.
“Eu acompanho a política desde criança. Em 2023 deu aquele desmantelamento da corte em Curitiba e aquilo me acendeu um alerta que nosso país estava capengando na corrupção. Não falo presidente aquilo ou outro”, declarou.
Segundo o réu, a preocupação aumentou quando questões relacionadas à corrupção passaram a envolver, em sua visão, famílias e pessoas que seriam prejudicadas.
“Me deixa emocionado porque quando toca em nome de família, eu vi meus filhos naquele momento quando percebi que a corrupção estava tomando conta do nosso país”, afirmou.
Antônio contou ainda que chegou a dizer aos filhos que poderia morrer ou ser preso em razão da disposição de agir contra o que considerava injustiças.
“Aí eu falei pros meus filhos e disse, seu pai vai morrer ou eu ser preso. Eu disse isso em ligação pro meu filho. Ele disse, pai até quando isso? E eu disse que estava disposto a morrer por isso”, relatou.
Durante o depoimento, Antônio afirmou que grandes proprietários, em Mato Grosso, estariam retirando pessoas de suas terras. “Os grandes jogaram gado no povo na estrada, tirando pessoas da terra. Fiquei sabendo que pessoas aqui em MT estavam nessa situação. Famílias sendo tiradas das suas terras. Aquilo ali me acendeu mais ainda um alerta”, declarou.
Antônio é acusado de ser o autor dos disparos que mataram Zampieri. Além dele, são julgados o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de financiar o crime, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediador do assassinato.
Zampieri foi assassinado a tiros em dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, nas proximidades do escritório onde trabalhava.
Fonte:Estadão MT





