
Foto-Reprodução-Web
Apontado como o executor do assassinato do advogado Roberto Zampieri, o réu Antônio Gomes da Silva referiu-se à vítima como um “corrupto” que ele “mandou para o inferno”. A declaração foi dada durante seu depoimento no Fórum de Cuiabá (a 234 Km de Primavera do Leste) na manhã de quarta-feira (30), na retomada do Tribunal do Júri. Segundo o réu, o suposto esquema de negociação de decisões judiciais atrelado ao advogado foi a motivação para que “buscasse justiça” com as próprias mãos.
Emocionado em certos momentos da oitiva, Antônio declarou ter agido por “verceber a corrupção tomando conta do Brasil”. Ele afirmou que estava disposto a morrer, que não está “pedindo arrego” e disse ter consciência de que precisa cumprir pena pelo crime.
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Em seu relato, Antônio pontuou que, caso Zampieri “não fosse corrupto”, estaria vivo e ele próprio não estaria preso. Disse ainda desejar que todos os corruptos “conheçam o descanso eterno” e revelou que cogitou atingir outros nomes envolvidos no esquema. Durante o interrogatório, confirmou detalhes apurados no inquérito policial, como as vigílias e idas ao escritório da vítima usando disfarces. Segundo o acusado, o modus operandi foi inspirado no filme “O Poderoso Chefão”.
Ele negou ser um “assassino frio e calculista”, definindo-se como um “cidadão comum com vergonha na cara”, sem medo de matar.
Antônio foi o primeiro dos três réus a depor na sessão presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá. O coronel da reserva do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas (apontado como financiador), e Hedilerson Fialho Martins Barbosa (acusado de intermediar a ação e fornecer a arma) também prestarão depoimento nesta quarta-feira. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pede a condenação do trio por homicídio triplamente qualificado, com penas que podem chegar a 30 anos.
O Julgamento e a Dinâmica do Crime
O Tribunal do Júri teve início na terça-feira (29). No primeiro dia de sessão, foram ouvidos delegados da Policia Civil, representantes da Polícia Federal e testemunhas de defesa e acusação.
Conforme a denúncia do MPMT, Etevaldo teria financiado a execução mediante o pagamento de R$ 40 mil a Antônio. O crime ocorreu em 5 de dezembro de 2023, quando Zampieri foi surpreendido ao entrar em seu veículo, uma Fiat Strada, na saída do escritório de advocacia no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O atirador disparou cerca de 10 tiros utilizando uma caixa para abafar o barulho antes de fugir a pé.
Apesar de a acusação sustentar que a motivação do homicídio julgado esta semana está ligada a uma disputa de terras avaliada em cerca de R$ 100 milhões no interior do estado, a apreensão do celular de Roberto Zampieri desencadeou desdobramentos diretos na alta cúpula do Judiciário de Mato Grosso.
Nos últimos meses, as investigações decorrentes dos dados extraídos do aparelho avançaram no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ):
Processos Administrativos e Punições no CNJ: As análises das mensagens do advogado culminaram no afastamento preventivo e na abertura de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) suspeitos de comercializarem decisões judiciais.
Aprofundamento em Setembro de 2026: No decorrer de setembro de 2026, relatórios e audiências no CNJ entraram em fase decisiva para julgar o mérito das infrações disciplinares dos magistrados citados no esquema do advogado, mantendo os holofotes sobre o impacto que o assassinato causou no sistema de Justiça do Estado.
Fonte: Click F5





