Estudante de 15 anos perde a mão em explosão durante protestos na França

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Mais de 400 escolas fecharam na França, enquanto estudantes mantêm bloqueio.  • REUTERS

Um estudante de quinze anos que protestava contra as escolas precárias e com falta de pessoal na França teve a mão arrancada por uma granada de efeito moral disparada pela polícia na segunda-feira (5).

O caso ocorreu na cidade de Lens, no norte do país, informou o prefeito François-Xavier Lauch, a repórteres.

O jornal La Voix du Nord noticiou que Lauch afirmou que uma investigação sobre o incidente foi aberta.

Bloqueio em escolas

Estudantes do ensino médio bloquearam o acesso a escolas em várias partes da França nesta segunda-feira (5), em continuidade aos protestos contra as condições da educação no país.

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, afirmou que entre 400 e 500 escolas estavam fechadas nesta segunda-feira em razão dos protestos. Segundo ela, as autoridades manterão as medidas “pelo tempo que for necessário”.

“Fotos e imagens que vimos nos últimos dias, especialmente na semana passada, perto dos colégios, mostram uma violência extrema, com policiais, gendarmes, bombeiros, funcionários da educação, jornalistas e estudantes sendo alvos”, disse Bregeon. “Tudo isso é, naturalmente, absolutamente inaceitável.”

A porta-voz afirmou que o governo não pretende ignorar reivindicações que considera legítimas, mas fez uma distinção entre manifestações pacíficas e episódios de violência.

“Há uma diferença enorme entre estudantes do ensino médio que têm coisas a dizer — mais uma vez, de forma pacífica e legítima — e a violência urbana”, afirmou.

Em Paris, estudantes bloquearam a entrada do tradicional Liceu Turgot e exibiram cartazes como “Para sermos ouvidos, não para sermos gaseados” e “Eles queriam ser ouvidos, acabaram sendo maltratados”.

Em Aubervilliers, nos arredores da capital, manifestantes protestaram em frente ao Liceu Henri Wallon. Um dos cartazes dizia: “Queremos o bac, não a BAC”, em referência ao diploma do ensino médio, chamado baccalauréat, e à BAC, unidade policial francesa de combate à criminalidade.

Outro cartaz afirmava: “Só porque somos dos subúrbios não significa que valemos menos”.

O estudante Kays Dhimel, de 18 anos, disse que os jovens se mobilizaram para reivindicar mudanças nas escolas.

“Estamos tentando nos unir agora para fazer nossas vozes serem ouvidas sobre tudo o que está acontecendo e realmente passar nossa mensagem — dizer que basta, que não podemos simplesmente ficar parados e aceitar mais isso”, afirmou.

Segundo Dhimel, o Ministério da Educação Nacional deveria garantir apoio igualitário às escolas de todo o país, e não apenas às instituições localizadas nas proximidades de Paris.

“É preciso que todos os colégios estejam em condições de igualdade e que sejamos realmente iguais quando se trata de nossos direitos e responsabilidades”, disse.

Bregeon defendeu a resposta do governo aos protestos e afirmou que episódios de violência contra agentes de segurança, bombeiros e funcionários de escolas não podem ser atribuídos às autoridades.

“Quando pessoas, sejam jovens ou adultas, jogam pedras contra policiais, atacam bombeiros ou agridem funcionários de escolas públicas, isso não é culpa do governo. É culpa de delinquentes e provocadores”, afirmou.

Ela também mencionou a responsabilidade dos pais quando os envolvidos são menores de idade.

“A função do Estado, do governo, é obviamente fazer todo o possível para restaurar a ordem. E restaurar a ordem é a prioridade”, disse.

Fonte: Cnn Brasil