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Benito Di Paula morre aos 84 anos em São Paulo e deixa legado marcante no samba

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O cantor, compositor e pianista Benito Di Paula morreu na noite de domingo, 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. A morte ocorreu em decorrência de complicações de um câncer. Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, o artista foi criado na capital fluminense e conquistou projeção nacional a partir dos anos 1970, com uma sonoridade própria que ajudou a renovar o samba.

Benito construiu uma identidade musical marcada pela combinação entre o piano e a percussão, criando uma batida característica que o diferenciava de outros intérpretes do gênero. O músico preferia se definir como sambeiro e pianeiro, expressões que refletiam sua maneira particular de interpretar e reinventar o samba. Seu estilo também antecipou elementos que seriam explorados posteriormente pelo pagode paulista, popularizado por grupos nos anos 1990.

Além da música, o artista ficou conhecido pela presença marcante nos palcos e programas de televisão. Seu visual, com cabelos longos, anéis, colares, pulseiras e gravatas-borboleta, tornou-se uma de suas marcas registradas durante o auge da carreira.

Benito iniciou sua trajetória no mercado fonográfico em 1967 e lançou seu primeiro álbum, Benito Di Paula, em 1971. No ano seguinte, apresentou o disco Ela, que trouxe “Violão Não Se Empresta a Ninguém”, considerado um dos primeiros sucessos de sua carreira. O reconhecimento nacional, porém, ganhou força em 1973, com a canção “Retalhos de Cetim”, que se tornou um dos maiores clássicos de seu repertório.

Entre os principais sucessos do cantor estão “Charlie Brown”, “Beleza que É Você, Mulher”, “Bandeira do Samba”, “Como Dizia o Mestre”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito que a Vida Quer”, “Assobiar e Chupar Cana” e “Proteção às Borboletas”. As canções consolidaram sua popularidade, sobretudo entre 1973 e 1977, período considerado o auge de sua trajetória artística.

As composições demonstraram a capacidade de Benito de desenvolver um samba com características próprias, combinando melodias populares, arranjos de piano e elementos percussivos. Embora sua obra tenha recebido influências de nomes importantes do gênero, o músico estabeleceu uma assinatura sonora reconhecida pelo público brasileiro.

Na primeira metade dos anos 1980, o artista ainda alcançou destaque com “Ah! Como Eu Amei”, composta pelos irmãos Jota Vellozo e Nei Vellozo, e “Amigo do Sol, Amigo da Lua”, parceria com Márcio Brandão Carneiro que tocou nas rádios em 1984. Esta última ficou conhecida como um dos últimos grandes sucessos de sua carreira.

Benito continuou lançando álbuns regularmente até 1996, quando apresentou Baileiro. Anos depois, voltou a gravar músicas inéditas em projetos como A Felicidade É Nossa, de 2017, e O Infalível Zen, de 2021, lançado quando completou 80 anos.

Nos últimos anos, sua contribuição para a música brasileira passou por um processo de reavaliação, com homenagens que destacaram a originalidade de sua obra. A repercussão de suas canções ao longo das décadas demonstrou a permanência de seu repertório entre diferentes gerações.

Com a morte de Benito Di Paula, a música popular brasileira perde um artista que transformou o piano em elemento central de sua interpretação do samba. Seu legado permanece nas gravações, nas composições e nos sucessos que ajudaram a marcar uma das épocas mais populares do gênero no país.

Fonte:Folha de Mato Grosso