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Crescimento e interiorização da violência contra a mulher alerta autoridades do Estado de Mato Grosso |

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Foto-Ilustração-Web

A violência doméstica e de gênero voltou a avançar em Mato Grosso no primeiro trimestre de 2026, impulsionada por um forte aumento de ocorrências nos municípios do interior. Dados consolidados da plataforma Crime Brasil apontam que, entre janeiro e março, o Estado contabilizou 13.515 boletins de ocorrência envolvendo mulheres de 18 a 59 anos — uma alta de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025 (12.488 registros), representando 1.027 novos casos reportados em apenas três meses.

O levantamento contempla uma série de crimes previstos na Lei Maria da Penha e no Código Penal, como ameaça, lesão corporal, injúria, perseguição (stalking), violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas de urgência e estupro.

Avanço Proporcional no Interior Contrastado com a Capital

Embora Cuiabá siga liderando em números absolutos — acumulando 3.325 ocorrências (cerca de 24,6% de todo o volume estadual) e uma alta de 4% —, a aceleração mais expressiva do problema migrou para os polos agropecuários e urbanos do interior:

  • Sorriso: Liderou o crescimento proporcional no Estado, saltando de 423 casos no 1º trimestre de 2025 para 544 em 2026 (+28,6%).

  • Tangará da Serra: Registrou aumento de 27%, subindo de 322 para 409 casos.

  • Primavera do Leste: Teve alta de 26,8%, passando de 284 para 360 registros.

  • Sinop: Teve expansão expressiva de 19%, saltando de 633 para 753 ocorrências.

Juntos, esses quatro municípios responderam por 404 dos 1.027 casos adicionais contabilizados em Mato Grosso, demonstrando que a interiorização da violência exige atenção proporcional das forças policiais e da rede assistencial.

No indicador de taxa por 100 mil habitantes — que mede a concentração relativa dos casos —, Cuiabá continua no topo da lista, seguida por Sorriso, Barra do Garças e Cáceres.

Retomada de Indicadores e Leitura Estatística

Apesar da alta em relação a 2025, o patamar atual ainda não ultrapassou o pico registrado no primeiro trimestre de 2024, quando Mato Grosso somou 13.868 notificações. Especialistas ressaltam que o aumento nos boletins de ocorrência possui dupla interpretação: pode sinalizar o recrudescimento da violência real ou demonstrar maior conscientização das vítimas e confiança nos canais formais de denúncia e concessão de medidas protetivas.

O Fortalecimento da Rede de Proteção no Estado

Nos últimos três meses, o debate sobre a segurança da mulher em Mato Grosso ganhou novos contornos institucionais para enfrentar essa escalada nos municípios do interior e na Capital:

  1. Aprimoramento da Patrulha Maria da Penha e Tecnologia: A ampliação das ferramentas de monitoramento eletrônico para agressores e o reforço das patrulhas especializadas da Polícia Militar vêm sendo descentralizados para polos como Sinop, Sorriso e Rondonópolis, visando coibir o descumprimento de medidas protetivas.

  2. Atendimento Integrado na Segurança Pública: O Poder Judiciário de Mato Grosso e a Polícia Civil têm intensificado mutirões de análise de medidas protetivas de urgência e o fortalecimento de salas de atendimento humanizado (Salas Lilás) em delegacias do interior.

  3. Foco na Denúncia Antecipada: Ações educativas e campanhas de conscientização promovidas por órgãos estaduais ao longo do último trimestre reforçam que a notificação de crimes como ameaça e violência psicológica é crucial para conter a escalada que leva a agressões físicas graves e feminicídios.

O cenário epidemiológico e criminal do primeiro trimestre de 2026 reafirma a urgência de manter a expansão e o financiamento contínuo das políticas públicas de proteção às mulheres em todas as regiões de Mato Grosso.



Fonte: Click F5