A Justiça Estadual determinou o arquivamento da investigação contra João Munhoz Neto pelos crimes de feminicídio e indução ao suicídio, no caso da morte da jovem Isabelle Caracristi, de 22 anos, em Fortaleza, no Ceará. A decisão foi tomada pela 5ª Vara do Júri da capital cearense, após pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE).
Com o arquivamento, o processo foi encaminhado aos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza, que deverão analisar os crimes remanescentes. João continua respondendo por violência psicológica contra a mulher e fraude processual, pelos quais foi indiciado pela Polícia Civil. Ele permanece em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.
Decisão judicial
Conforme documento obtido pela TV Verdes Mares, o juiz Wyrlenson Flavio Barbosa Soares acolheu o pedido do Ministério Público para arquivar a investigação dos crimes dolosos contra a vida, entre eles feminicídio e indução, instigação ou auxílio ao suicídio.
Na avaliação do magistrado, as provas reunidas no processo não apresentaram justa causa para a continuidade da persecução penal por esses crimes.
O Ministério Público apontou que não foram encontrados elementos probatórios suficientes para demonstrar que o investigado teria agido com intenção de matar ou assumido conscientemente o risco de provocar a morte da jovem.
A decisão, portanto, não encerra a apuração de todas as condutas atribuídas a João Munhoz Neto. As acusações remanescentes seguem para análise da Justiça especializada em violência doméstica.
Defesa afirma confiar na inocência
A advogada Lígia Peixe, que representa João, afirmou que a decisão judicial confirma o arquivamento das acusações de feminicídio e indução ao suicídio. Segundo ela, a defesa continuará trabalhando para demonstrar a inocência do cliente também em relação às acusações restantes.
O advogado Ravi Ramier também declarou que a defesa seguirá atuando para comprovar a inocência de João Munhoz Neto.
Em nota, a defesa negou que ele tenha tentado obstruir as investigações e afirmou que o cliente disponibilizou o próprio telefone para perícia. Os advogados também contestaram a acusação de violência psicológica.
Relembre o caso
Isabelle Caracristi foi encontrada morta em 13 de setembro de 2026, no condomínio onde morava com João, em Fortaleza. O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a mãe da jovem publicar um vídeo cobrando explicações e justiça.
João chegou a ser preso em 22 de setembro, por suspeita de violência psicológica e por supostamente atrapalhar as investigações. Ele deixou a prisão após decisão judicial que revogou a prisão preventiva e estabeleceu medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
O inquérito policial foi concluído em 30 de setembro, com 17 laudos periciais. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Civil concluiu que a morte ocorreu por precipitação voluntária, caracterizada como suicídio, e João não foi indiciado por indução ao suicídio.
A investigação reuniu depoimentos de 29 pessoas, entre familiares, amigos, colegas de trabalho, moradores e funcionários do condomínio.
Com a decisão de arquivamento dos crimes contra a vida, a Justiça dará prosseguimento à análise das acusações que permanecem contra João Munhoz Neto.
Fonte:Folha de Mato Grosso




