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Casarão histórico de 150 anos é vendido e demolido em Cuiabá

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Um casarão histórico localizado na Rua São Joaquim, no bairro Porto, em Cuiabá, começou a ser demolido na tarde de quinta-feira (22), após ser vendido. Com cerca de 150 anos de história, o imóvel deixou de existir sem proteção formal por tombamento, provocando indignação entre pessoas ligadas à preservação da memória e do patrimônio histórico da capital mato-grossense.

A demolição foi percebida pelo historiador Francisco das Chagas Rocha, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT), que passava pela região quando viu a movimentação das máquinas.

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Imóvel pertenceu a ex-prefeito de Cuiabá

Segundo Francisco, a residência foi construída pelo coronel José Antônio de Souza Albuquerque, conhecido como Coronel Juca de Albuquerque, que governou Cuiabá por três mandatos. Ele era casado com Maria da Glória Albernaz, com quem teve 18 filhos.

O casarão permaneceu ligado à família Albuquerque após a morte do ex-prefeito e de sua esposa. A filha do casal, Clarice Albernaz de Albuquerque, viveu no local durante muitos anos e foi a última moradora da residência.

De acordo com Francisco, os novos proprietários acabaram vendendo o casarão a outra pessoa, que iniciou a demolição.

Casarão não tinha tombamento

Um dos fatores que permitiram a demolição foi a ausência de tombamento formal. Conforme explicou o historiador, o imóvel ficava fora do perímetro oficialmente reconhecido como patrimônio histórico.

Francisco destacou que a administração pública pode avaliar construções com relevância arquitetônica e histórica e adotar medidas de proteção para garantir sua preservação para as próximas gerações.

A perda reacende o debate sobre a conservação de imóveis antigos em Cuiabá e a necessidade de identificar e proteger construções que ajudam a contar a história da cidade.

“Cuiabá perde mais um pedaço de sua história”

Em publicação nas redes sociais, Francisco lamentou a demolição e destacou a importância da memória histórica para a identidade cuiabana.

“Cuiabá perde mais um pedaço de sua história. E nós, que acreditamos no valor da memória, não podemos deixar de lamentar”, escreveu o historiador.

O caso chama a atenção para os desafios da preservação do patrimônio arquitetônico de Cuiabá, especialmente de construções antigas que, mesmo carregando parte da história da cidade, não contam com proteção formal contra a demolição.

Fonte:Folha de Mato Grosso