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Índia amplia demanda por alimentos e abre novas oportunidades para produtores de Mato Grosso

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A Índia, país mais populoso do planeta e quarta maior economia mundial, foi o centro das discussões do Agro Club Conecta, realizado em 20 de outubro, na Fundação Rio Verde, em Lucas do Rio Verde (MT). Com projeções de alcançar a terceira posição entre as maiores economias até 2028, o país asiático apresenta uma demanda crescente por alimentos e produtos agrícolas, criando oportunidades para o agronegócio brasileiro.

Com o tema “A Índia como Nova Fronteira do Agronegócio: Mercado, Cultura e Tendências”, o encontro promovido pelo Agro Club Tecnológico contou com a participação dos representantes da regional Centro-Oeste da Câmara de Comércio Índia-Brasil: Marcel Daltro, head regional, Athena Campos, gerente regional, e Isabella Cavalcante, analista de Relações Internacionais.

A Índia já ocupa a quinta posição entre os principais destinos das exportações brasileiras. Entre janeiro e setembro de 2026, as vendas do Brasil ao mercado indiano ultrapassaram US$ 8,2 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em Mato Grosso, as exportações destinadas à Índia superaram US$ 700 milhões no mesmo período, com crescimento de aproximadamente 41% em relação ao ano anterior, conforme os números apresentados durante o encontro.

Para Athena Campos, esses indicadores demonstram que a relação comercial entre os dois países não é uma possibilidade distante, mas uma realidade que já apresenta resultados expressivos.

“Não estamos convidando o produtor mato-grossense a uma aventura comercial ou apresentando um mercado desconhecido. A Índia já é um parceiro importante do Brasil e de Mato Grosso. Estamos falando de uma relação comercial existente, que cresce e apresenta condições concretas de expansão”, destacou.

Segundo a gerente regional, o avanço econômico indiano deve ser observado especialmente pelo impacto sobre o consumo de alimentos. Com uma população superior a 1,4 bilhão de habitantes, o crescimento da renda e a transformação dos hábitos de consumo ampliam as perspectivas de demanda por produtos agrícolas.

“A Índia busca percorrer um caminho de crescimento semelhante ao que a China percorreu há cerca de 20 anos, mas existe uma diferença fundamental: a China precisou construir caminhos comerciais que hoje a Índia já encontra estabelecidos. O Brasil, e especialmente Mato Grosso, estão preparados para atender essa demanda e assumir um protagonismo ainda maior nessa relação comercial”, afirmou Athena.

Um dos pontos centrais apresentados no encontro foi a necessidade de diversificar os destinos das exportações mato-grossenses. Atualmente, a China concentra parcela expressiva das vendas externas do estado, chegando a representar quase metade do total exportado em determinados períodos.

“Não se trata de substituir a China, que é um parceiro fundamental para Mato Grosso, mas de ampliar alternativas. Quando concentramos nossas exportações em um único mercado, ficamos mais vulneráveis a decisões políticas, conflitos e acontecimentos internacionais sobre os quais não temos controle. Diversificar destinos é também uma estratégia de proteção para o produtor”, explicou.

Além dos mercados compradores, Athena destacou oportunidades para diversificar a produção agrícola, especialmente por meio de culturas destinadas à segunda e terceira safras, como gergelim, feijão e grão-de-bico. As leguminosas conhecidas internacionalmente como pulses, que incluem diferentes variedades de feijões, ervilhas, lentilhas e grão-de-bico, têm presença importante na alimentação indiana.

Durante visitas institucionais realizadas pela Câmara na região, a receptividade de empresários, produtores e entidades representativas também chamou atenção.

“Em praticamente todas as conversas, percebemos que não estávamos apresentando uma novidade. As empresas e lideranças já vinham discutindo a diversificação dos mercados, tanto pela dependência da China quanto pela concentração de compradores no mercado interno. Existe uma disposição concreta do setor produtivo para avançar nessa direção”, relatou Athena.

Nesse cenário, a Câmara de Comércio Índia-Brasil desempenha um papel de aproximação institucional e comercial, contribuindo para conectar o setor produtivo brasileiro a empresas, entidades e oportunidades do mercado indiano.

Fonte:Folha de Mato Grosso