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Assessor de Sérgio Ricardo entregava dinheiro em mochilas na presidência do TCE, diz PF

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Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que a movimentação do dinheiro em espécie sacado em esquema de propina e desvios no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) contava com uma logística interna para a entrega do numerário. Segundo a PF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente Sérgio Ricardo de Almeida e secretário executivo de comissão, era o responsável pelo transporte físico das quantias em mochilas até as dependências da Presidência do órgão.

A dinâmica faz parte das apurações do Pedido de Prisão Preventiva nº 28/DF, sob relatoria do ministro Og Fernandes, que culminou na decretação da prisão preventiva de Sérgio Ricardo, de Adriangelo e de outros quatro investigados apontados como integrantes do “núcleo operacional” do esquema.

A rota das mochilas dentro do Tribunal

De acordo com a apuração, os valores em dinheiro vivo eram sacados no posto bancário do Sicoob instalado no prédio do TCE-MT, no Centro Político Administrativo (CPA). A principal operadora das retiradas era Roseli Loss, chefe de gabinete e pessoa de confiança do presidente Sérgio Ricardo.

Em seguida, o numerário era repassado a Adriangelo Barros Antunes. Imagens do circuito interno e diligências de observação presencial da Polícia Federal registraram a atuação do assessor na logística de transporte das notas.

Em 14 de outubro de 2025, agentes policiais em observação no posto bancário do TCE-MT registraram o momento em que um indivíduo com características físicas compatíveis com as de Adriangelo ingressou no local portando uma mochila vazia.

Pouco tempo depois, o assessor foi fotografado saindo da agência com a mochila aparentemente carregada, dirigindo-se de forma direta às dependências da Presidência do TCE-MT.

A PF identificou que, em pelo menos seis oportunidades rastreadas pelas imagens, Roseli Loss sacou quantias e entregou os valores diretamente a Adriangelo. Ao todo, Roseli movimentou R$ 3.520.600,00 em retiradas em espécie no posto bancário.

Destino dos valores e ocultação

Além do transporte físico, as investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da PF revelaram que Adriangelo Barros Antunes recebeu cerca de R$ 2,28 milhões em suas contas bancárias a partir de setembro de 2025. Parte desses valores foi posteriormente repassada para sua esposa, filha e uma terceira pessoa não identificada, em manobra caracterizada pelos investigadores como tentativa de ocultação patrimonial.

A decisão do ministro Og Fernandes destacou que Adriangelo não ocupava uma posição secundária ou periférica, mas desempenhava função logística indispensável para a circulação do dinheiro vindo da “folha paralela” mantida na Corte de Contas.

Decretação da prisão

Ao decretar a prisão preventiva de Adriangelo, o ministro Og Fernandes destacou que o assessor, juntamente com Sérgio Ricardo e os demais operadores, demonstrou risco de reiteração criminosa e de interferência nas investigações.

A decisão ressaltou ainda que, logo após a ação de observação policial realizada em outubro de 2025 na agência do Sicoob, o serviço de segurança do TCE-MT abordou os agentes à paisana. A partir daquele momento, a organização alterou o modo de atuação, reduzindo temporariamente os saques em mochila para evitar a fiscalização, antes de retomar as retiradas presenciais no primeiro semestre de 2026.



Fonte: Pnb Online