O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, apontado pela Polícia Federal (PF) como o braço direito do presidente Sérgio Ricardo de Almeida e maior beneficiário individual de um esquema de propinas e desvios no órgão, usou a criação de cavalos de raça e a negociação de embriões e sêmen equino para ocultar a origem ilícita de recursos públicos.
A revelação constou na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito do Pedido de Prisão Preventiva nº 28/DF, que determinou a prisão preventiva de Grhegory Maia, de Sérgio Ricardo e de outros quatro operadores do esquema.
A empresa de equinos e o mercado sem referência
De acordo com o documento judicial, Grhegory Maia recebeu R$ 32,3 milhões oriundos do esquema de “folha paralela” e favorecimento de fornecedores no TCE-MT. Parte expressiva dessas quantias foi canalizada para estruturas empresariais criadas com o objetivo explícito de lavar os valores.
Entre os mecanismos identificados pela PF está a sociedade Maia Reining Horses Ltda., constituída por Grhegory em 22 de julho de 2025. A empresa tem como objeto social a criação de cavalos e o comércio de embriões e sêmen equino.
Os investigadores ressaltaram que a escolha do setor se deu estrategicamente por se tratar de um mercado em que “não há preço de referência pública”, o que facilita a sobreavaliação de ativos, a simulação de negócios e a dissimulação do capital de origem criminosa.
Holding familiar gerida por parentes de operadores
Além do negócio de equinos de raça, a apuração da Polícia Federal identificou que o consultor jurídico estruturou a holding familiar G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda. para injetar o dinheiro proveniente das ordens bancárias avulsas emitidas pelo tribunal.
A holding era administrada pela sogra de Grhegory Maia e, anteriormente, foi gerida pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, assistente jurídico comissionado e apontado como outro operador financeiro direto do grupo. A empresa recebia aportes diretos das contas de Grhegory, que viu seu patrimônio declarado saltar de R$ 1,84 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro de 2025.
Papel central no esquema e articulação jurídica
Segundo a PF e o STJ, Grhegory Maia exercia papel de destaque na organização. Na condição de Consultor Jurídico-Geral da Corte de Contas, ele atuava em processos perante o Supremo Tribunal Federal (STF) discutindo verbas indenizatórias a membros do tribunal enquanto era o principal destinatário dos repasses investigados.
Ao todo, o servidor recebeu R$ 32,3 milhões por meio de 179 ordens bancárias avulsas, cujos valores foram pulverizados em doze contas mantidas simultaneamente em nove instituições financeiras distintas. Imagens do circuito interno de monitoramento bancário captaram o investigado acondicionando blocos de dinheiro vivo em uma mochila dentro do posto bancário da sede do TCE-MT.
Fonte: Pnb Online




