O desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais apresentou uma associação com a presença de evangélicos nos municípios brasileiros. Levantamento do g1, com dados do Censo 2022 do IBGE e da votação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o senador teve resultados melhores em cidades onde a população evangélica representa uma parcela maior dos moradores.
Apesar de ter sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, Flávio conquistou seu melhor desempenho nos municípios com mais de 30% de evangélicos. Nas cidades em que esse grupo representa entre 30% e 40% da população, o candidato do PL recebeu 54,2% dos votos válidos. Na faixa de 40% a 50%, alcançou 54,6%. Já nos municípios em que mais da metade dos moradores se declara evangélica, chegou a 55,2%.
O cenário foi diferente onde a presença evangélica é menor. Em 502 municípios nos quais esse grupo representa até 10% da população, Lula obteve 68,5% dos votos, contra 31,5% de Flávio. Nas cidades com proporção entre 10% e 20%, o petista também venceu, com 61,3% dos votos válidos.
O Centro-Oeste aparece como uma das regiões em que essa associação é mais evidente. Goiânia, Campo Grande e Cuiabá registram proporções de evangélicos acima da média nacional, e Flávio venceu nas três capitais. O padrão também aparece em municípios de Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Tocantins e no sul do Pará.
No Nordeste, onde a presença evangélica é proporcionalmente menor em muitos municípios, Lula manteve vantagem expressiva. Já no Sul, Flávio demonstrou força eleitoral mesmo em cidades com baixa proporção de evangélicos, indicando que fatores religiosos não explicam, isoladamente, as escolhas dos eleitores.
Os dados apontam uma relação entre religião e comportamento eleitoral, mas não permitem afirmar que a identidade religiosa determine o voto. Aspectos econômicos, sociais, regionais e políticos também influenciam a decisão nas urnas.
Fonte:Folha de Mato Grosso




