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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) instaurou um procedimento para apurar uma publicação feita nas redes sociais pelo vereador de Cuiabá (234 Km de Primavera do Leste), Rafael Ranalli (PL). A postagem gerou forte repercussão ao sobrepor a imagem de um jumento ao mapa dos nove estados do Nordeste brasileiro. A investigação foi aberta pela promotora de Justiça Lindinalva Correia Rodrigues a partir de denúncias formalizadas na Ouvidoria do órgão.
O conteúdo circulou no contexto das Eleições 2026, logo após o encerramento das urnas, associando os eleitores nordestinos a estereótipos depreciativos devido à expressiva votação recebida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região. Na ocasião, Ranalli criticou a opção política da população local ao publicar: “#Nordeste #fazol e continua na #Pobreza. Lula lidera entre os estados com maior índice de pobreza e analfabetismo do país”.
O órgão ministerial busca apurar a autoria, a extensão do alcance do conteúdo e se houve a utilização de recursos públicos ou de canais institucionais da Câmara Municipal para a divulgação, o que configuraria desrespeito aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. O Legislativo de Cuiabá foi notificado a prestar esclarecimentos no prazo de 10 dias úteis e informar se abriu processo disciplinar.
Paralelamente, os autos foram remetidos ao Núcleo de Atuação Judicial Criminal do MPMT para avaliar se a conduta do parlamentar se enquadra no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que tipifica os crimes de preconceito por procedência nacional e raça.
Diante da repercussão negativa, Ranalli apagou a publicação e divulgou uma nota de retratação, afirmando que não teve a intenção de ofender e que desaprova qualquer forma de discriminação contra a população do Nordeste.
Aumento de denúncias de assédio e intolerância política em MT: A apuração contra Ranalli ocorre em um período de forte vigilância das autoridades em Mato Grosso sobre manifestações extremadas pós-pleito. Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) informou a instauração de dezenas de inquéritos e o recebimento de mais de 60 denúncias relacionadas a assédio eleitoral e discriminação contra trabalhadores e eleitores no estado.
Histórico de controvérsias do parlamentar: O caso amplia uma série de episódios polêmicos envolvendo Rafael Ranalli nos últimos meses. O vereador e policial federal já havia sido notificado por exibir uma arma de fogo na cintura durante a convenção de seu partido e na “Marcha para Jesus” em Cuiabá. Além disso, entrou recentemente no radar da Polícia Civil por declarações com teor homofóbico dirigidas a um colega no plenário da Câmara Municipal.
Tensões institucionais pós-eleitorais: O desdobramento jurídico reflete a postura mais rigorosa do Ministério Público e do Judiciário mato-grossense diante de retóricas de segregação ou discriminação regional observadas ao longo do segundo turno presidencial.
Fonte: Click F5




