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Plantio da soja acelera em MT, alivia risco sobre o milho e derruba preço da saca

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Assessoria | Aprosoja MT

O avanço do plantio da soja em Mato Grosso começou a aliviar a preocupação com o calendário da segunda safra de milho, mas também contribuiu para a queda no preço do cereal. Até 23 de outubro, o milho disponível acumulava recuo de 3,82% na média mensal, para R$ 46,66 por saca de 60 quilos, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A redução ficou ainda mais evidente entre os dias 19 e 23, quando a saca foi negociada, em média, a R$ 44,99, queda de 3,24% em relação à semana anterior. O movimento ocorreu após dois meses de valorização: os preços haviam subido 7,22% em agosto e 10,18% em setembro.

Naquele período, compradores temiam que a falta de chuva atrasasse a semeadura da soja e comprometesse o cultivo seguinte do milho. Com a regularização das precipitações, o cenário mudou. O avanço das lavouras de soja aumentou a expectativa de que os produtores consigam semear o cereal dentro da janela considerada mais favorável.

PLANTIO ACIMA DA MÉDIA

Até sexta-feira (23), a soja ocupava 75,81% da área prevista para a safra 2026/27. Em apenas uma semana, a semeadura avançou 23,95 pontos percentuais. No mesmo período do ano passado, os trabalhos alcançavam 60,05%; a média dos últimos cinco anos era de 64,31%.

O Médio-Norte liderava o plantio, com 96,60% da área concluída, seguido pelo Oeste, com 86,78%. No Norte, o índice chegava a 78,70%. O Sudeste apresentava 59,04%, embora estivesse adiantado em relação ao calendário habitual da região.

O ritmo é importante porque boa parte do milho mato-grossense é cultivada após a colheita da soja. Atrasos na primeira cultura reduzem o período disponível para o cereal e podem ampliar a exposição à falta de chuvas no fim do ciclo.

CUSTOS PRESSIONAM

Além do calendário agrícola, o mercado reage às perspectivas de oferta internacional. Em Chicago, o milho recuou 3,75% na semana encerrada em 23 de outubro, para média de US$ 4,61 por bushel. Nos Estados Unidos, o avanço da colheita e a expectativa de produção elevada pressionaram as cotações.

A queda ocorre quando produzir milho está mais caro. Para 2026/27, o Imea estimou custo operacional efetivo de R$ 5.508,23 por hectare, alta de 14,61%. Incluindo depreciação e remuneração do produtor, o custo operacional total chegou a R$ 6.070,09, acima da receita bruta projetada de R$ 5.824,88 por hectare.

Essa estimativa de receita utiliza o preço médio de setembro, antes da retração observada em outubro.



Fonte:Estadão MT