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Uma obra de pavimentação contratada pelo Governo de Mato Grosso por R$ 63,2 milhões está no centro de questionamentos sobre atrasos e condições de trafegabilidade na MT-160, no município de Rosário Oeste. Fotografias e um vídeo encaminhados ao Jornal Estadão Mato Grosso mostram a rodovia tomada por lama, com carretas atoladas e tratores mobilizados no local. Enquanto isso, a pavimentação permanece inacabada.
A responsável pela execução é a Lucena Infraestrutura Ltda., vencedora da Concorrência Pública Eletrônica nº 14/2025, promovida pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT). O contrato original, de R$ 63.278.880,73, prevê a implantação e pavimentação de 32,96 quilômetros entre o entroncamento com a MT-246 e a divisa de Nossa Senhora do Livramento com Rosário Oeste.
O atraso vai além das condições registradas nas imagens. Segundo dados atribuídos à Sinfra e divulgados em levantamento publicado no dia 29 de outubro, a obra havia alcançado apenas 21,15% de execução até setembro de 2026, quando o cronograma previa 42,37%. O avanço registrado representa praticamente metade do percentual programado para o período.
Ainda conforme o levantamento, o governo estadual já havia desembolsado aproximadamente R$ 13,8 milhões para a construtora. Somente em setembro, a previsão era de R$ 2,09 milhões em serviços executados, mas as medições aprovadas somaram cerca de R$ 275,7 mil.
As imagens expõem as dificuldades enfrentadas por quem utiliza a rodovia. Em diferentes pontos, o terreno apresenta grandes marcas de pneus, acúmulo de barro e trechos de terra revolvida. Uma das fotografias mostra um caminhão de carga com as rodas afundadas no solo, enquanto tratores estão posicionados nas proximidades.
EMPRESA FOI INABILITADA ANTES DE VENCER LICITAÇÃO
A documentação oficial analisada pelo Jornal Estadão Mato Grosso revela uma reviravolta no processo licitatório.
Em 4 de abril de 2025, a Comissão de Contratação da Sinfra inabilitou a Lucena Infraestrutura por considerar que a empresa não havia comprovado integralmente a capacidade técnica operacional exigida no edital, especialmente quanto à experiência em pavimentação rodoviária.
A construtora apresentou recurso administrativo. Após manifestação jurídica da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o secretário de Infraestrutura determinou a revisão da decisão. A empresa foi habilitada e teve sua vitória homologada em 28 de maio de 2025, pelo valor de R$ 63,2 milhões.
A reversão da inabilitação ocorreu dentro do procedimento administrativo e, por si só, não comprova irregularidade na contratação.
OBRA MILIONÁRIA SOB QUESTIONAMENTO
A placa instalada na rodovia identifica o contrato nº 076/2025/00-Sinfra, com prazo de vigência de 630 dias e recursos provenientes do programa MT Integrado e do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).
Apesar da documentação e dos registros de atraso, as imagens, isoladamente, não permitem confirmar que a construtora tenha abandonado formalmente o empreendimento ou interrompido definitivamente os serviços.
O cenário, contudo, levanta questionamentos sobre a fiscalização do contrato, o ritmo dos trabalhos e as providências adotadas pelo Estado diante da execução abaixo do cronograma.
Até o momento, não foi apresentada nos documentos analisados uma justificativa oficial da Lucena Infraestrutura ou da Sinfra para o atraso, nem confirmação de eventual aplicação de penalidades à empresa.
Fonte:Estadão MT




