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Conselheiro afastado do TCE-MT adquire veículos de luxo avaliados em R$ 1,27 milhão, aponta PF

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A Polícia Federal constatou que Alisson Carvalho de Alencar, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), adquiriu dois automóveis de alto padrão que somam R$ 1.277.879. As compras foram feitas ao longo de 2025 e 2026 e abrangem um Porsche Cayenne e uma BMW X2.

Alisson tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Tomada de Contas, realizada na quinta-feira (29), e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou seu afastamento do cargo. Os investigadores apuram indícios de irregularidades em contratos e em repasses de grande porte a membros da Corte de Contas.

Segundo o levantamento patrimonial da PF, o Porsche Cayenne cinza, ano/modelo 2024/2025, foi comprado em março deste ano e tem valor de R$ 822,6 mil conforme a tabela Fipe. O outro veículo, uma BMW X2 M35i preta, ano/modelo 2025/2025, foi adquirida em junho do ano passado e está avaliada em R$ 454,9 mil.

Os investigadores também verificaram que Alisson recebeu R$ 8,18 milhões do TCE-MT entre janeiro e 22 de outubro de 2025, período em que ainda exercia o cargo de procurador-geral do Ministério Público de Contas. O valor foi pago por meio de 113 operações bancárias e representa 71,72% de tudo o que foi destinado aos quatro procuradores de Contas examinados pela PF naquele intervalo.

Os outros três procuradores receberam, somados, cerca de R$ 3,22 milhões. A disparidade levou os investigadores a apontarem concentração incomum de pagamentos em favor de Alisson. O relatório indica que os repasses cresceram de forma expressiva a partir de março de 2025, com depósitos mensais acima de R$ 600 mil.

Em maio, o então procurador-geral recebeu R$ 1,14 milhão; no mês seguinte, R$ 1 milhão; e em outubro, os pagamentos chegaram a R$ 980,3 mil até o dia 22. Os depósitos ocorreram em 68 datas distintas, frequentemente com mais de uma transferência no mesmo dia. A PF classifica a movimentação como atípica e busca esclarecer a origem, a natureza e a legalidade dos valores.

Alisson ingressou no Plenário do TCE-MT em dezembro de 2025, depois da aposentadoria do conselheiro Valter Albano da Silva. Até então, dirigia o Ministério Público de Contas. Sua indicação foi aprovada pela Assembleia Legislativa e a nomeação foi oficializada em 23 de dezembro.

A apuração também identificou ligação do conselheiro com a empresa ACA Holding Patrimonial Ltda., da qual é sócio juntamente com familiares. Os dados sobre os veículos, os pagamentos e a participação societária integram o levantamento financeiro da PF. A investigação, contudo, não afirma que os carros tenham sido adquiridos com recursos de origem ilícita, e a regularidade dos pagamentos segue sob análise.

Foram presos o presidente da Corte, Sérgio Ricardo; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; o servidor Adriangelo Barros Antunes; a secretária-executiva Roseli Loss; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva. Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da operação e afastados de suas funções por decisão judicial, assim como o conselheiro aposentado Valter Albano, que integrava a comissão de fiscalização da corte.

Fonte: Lapada Lapada