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Consultor do TCE-MT relatou ameaças após suspensão de contratos milionários

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O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Gregory Paiva Pires Moreira Maia, preso pela Polícia Federal em Cuiabá no dia 29 de outubro, aparece em um levantamento patrimonial que reúne veículos de luxo, participação em empresas e movimentações financeiras que somam mais de R$ 32 milhões.

Segundo informações divulgadas pelo MídiaNews, o relatório da Polícia Federal aponta que Gregory recebeu R$ 32.310.120,43 do TCE-MT, por meio de 217 lançamentos bancários, entre janeiro e 22 de outubro de 2025. Os valores teriam sido distribuídos entre contas mantidas em nove instituições financeiras, incluindo bancos tradicionais e plataformas digitais.

Entre os bens identificados estão um Land Rover Defender, avaliado em R$ 735,2 mil, um Mini Countryman, estimado em R$ 214,3 mil, uma Mercedes-Benz CLA 250, um Fiat Fastback, um GAC GS4 Elite e um reboque para transporte de animais. Juntos, os cinco automóveis somam aproximadamente R$ 1,38 milhão, conforme referências da tabela Fipe.

A investigação também aponta que Gregory criou, em julho de 2025, a empresa Maia Reining Horses Ltda., voltada à criação e reprodução de cavalos da raça quarto de milha, comercialização de material genético e promoção de competições de rédeas.

Os investigadores destacaram que a abertura da empresa coincidiu com a aceleração dos pagamentos feitos pelo TCE-MT ao servidor. Para a Polícia Federal, o setor de criação e comercialização de animais pode apresentar riscos de utilização em operações de lavagem de dinheiro, devido à dificuldade de estabelecer valores objetivos para animais e materiais genéticos.

O relatório também relaciona Gregory à venda de uma caminhonete RAM 1500, modelo 2022, a Ricardo Guilherme Nabor Antunes de Almeida, filho do conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida. Além disso, aponta uma possível aquisição imobiliária em Campo Grande (MS), registrada em abril de 2026, no valor de R$ 305,5 mil.

Outro ponto mencionado é a empresa G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., uma holding patrimonial familiar da qual Gregory participa com a esposa e o filho.

A PF também identificou pagamentos realizados no mesmo dia, com valores semelhantes e destinados a contas diferentes. A movimentação é considerada atípica e está sendo analisada pelos investigadores.

Apesar dos indícios levantados, o relatório não comprova, por si só, que os bens tenham sido adquiridos com recursos ilícitos ou que a empresa de criação de cavalos tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro. Os valores dos veículos são referências da tabela Fipe e não necessariamente correspondem aos preços efetivamente pagos.

A defesa de Gregory não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Fonte:Folha de Mato Grosso