Gilberto Leite | Estadão Mato Grosso
A intenção de consumo das famílias de Cuiabá voltou a crescer em outubro, após quatro meses consecutivos de queda, mas a dificuldade para conseguir financiamento ainda atinge quase metade dos consumidores. O indicador chegou a 106,3 pontos, avanço de 1,4% em relação a setembro, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisada pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Apesar da reação, o resultado ficou abaixo dos 107,1 pontos registrados em outubro de 2025. A pesquisa mede a disposição das famílias para comprar, levando em conta renda, emprego, acesso ao crédito e expectativas. Portanto, a alta do índice não significa que as vendas do comércio tenham crescido na mesma proporção.
A recuperação ocorreu em cinco dos sete componentes pesquisados. A perspectiva profissional apresentou a maior elevação, de 3,4%, seguida pelas condições para compras a prazo, com 3,3%. O nível de consumo atual e a expectativa de consumo subiram 2,9% cada. A avaliação sobre o momento para comprar bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, avançou 1,7%.
Dois indicadores, porém, continuaram em queda. A percepção sobre o emprego atual recuou 0,4%, enquanto a avaliação da renda atual caiu 2%. Os resultados mostram que o avanço das expectativas de compra não foi acompanhado de melhora em todos os aspectos da situação financeira das famílias.
“A expectativa de aumento do consumo para os próximos meses representa um sinal positivo para o comércio”, afirmou o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli. Ele avalia que parte dos entrevistados espera uma melhora gradual das condições econômicas e da capacidade de compra.
CRÉDITO AINDA RESTRINGE
O acesso ao financiamento permanece entre os obstáculos registrados no levantamento. Em outubro, 49,4% dos entrevistados disseram que está mais difícil obter crédito, enquanto 38,8% consideraram que ficou mais fácil. A parcela que percebe maior facilidade aumentou 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior, mas continua inferior ao grupo que relata dificuldades.
Em setembro, a pesquisa havia mostrado que 50,5% dos consumidores encontravam obstáculos para conseguir financiamento. Outros 37,1% consideravam que o acesso estava mais fácil. A comparação indica uma pequena melhora em outubro, embora a dificuldade ainda predomine entre os entrevistados.
O resultado contrasta com a avaliação sobre o emprego e a renda na comparação anual. Entre os participantes, 48,4% afirmaram sentir-se mais seguros no trabalho do que em outubro de 2025. Outros 51,6% disseram que a situação financeira de suas famílias estava melhor do que um ano antes.
A avaliação favorável sobre emprego e renda pode ajudar a “sustentar a confiança dos consumidores”, afirmou Gonçalves. A análise se refere à comparação com o ano anterior e não elimina as quedas registradas nesses dois componentes de setembro para outubro.
Os hábitos recentes de compra também revelam cautela. Quase metade dos entrevistados, 46,3%, informou que comprou menos do que no mesmo período do ano passado. Outros 41,5% disseram ter aumentado as compras. Assim, o grupo que reduziu o consumo ainda supera aquele que ampliou os gastos.
Para os próximos meses, a distribuição das respostas se inverte: 48,4% acreditam que comprarão mais do que no ano passado, enquanto 42,9% esperam gastar menos. O material divulgado pela Fecomércio-MT não informa o tamanho da amostra nem a margem de erro do levantamento.
No cenário nacional, a CNC registrou queda de 0,8% no indicador de intenção de consumo em outubro, descontados os efeitos sazonais, para 103,6 pontos. A variação nacional considera esse ajuste estatístico e não deve ser comparada diretamente à de Cuiabá sem conferir a metodologia das séries.
Fonte:Estadão MT




