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Mulher que matou marido a facadas tinha medida protetiva contra ele, revela delegado

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Estadão MT

Mulher que confessou matar Jucinei Ribeiro da Silva com duas facadas possuía medida protetiva contra ele desde outubro.

A mulher que confessou ter matado o companheiro, Jucinei Ribeiro da Silva, de 41 anos, com duas facadas, no último domingo (1º), no bairro Vila Operária, em Várzea Grande, possuía uma medida protetiva contra ele desde outubro deste ano. A informação foi revelada pelo delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), nesta quinta-feira (5), após interrogar a investigada, que alegou ter agido em legítima defesa. A suspeita foi identificada apenas pelo primeiro nome, Aline.

Segundo o delegado, além da medida protetiva recente, havia boletins de ocorrência anteriores contra Jucinei. A existência desses registros passou a integrar a investigação sobre as circunstâncias do homicídio.

“Havia aí alguns boletins de ocorrência contra ele, inclusive uma medida protetiva recente, nesse mês de outubro”, afirmou Bruno Abreu.

A mulher compareceu à DHPP acompanhada de advogados. Durante o interrogatório, confessou ter desferido duas facadas no companheiro, mas sustentou que reagiu após ser agredida.

Conforme o relato apresentado à polícia, Jucinei teria chegado à residência alterado, sob efeito de álcool e drogas. Durante uma discussão, ele teria segurado a mulher pelo pescoço e tentado enforcá-la. Ela afirmou que pegou uma faca que estava no local e atingiu o companheiro duas vezes.

“Ela alegou que ele chegou lá alterado, embriagado e com uso de drogas, e tentou enforcar ela, chegou a pegar ela no pescoço. Nesse momento ela pegou uma faca que tinha ali no local, deu dois golpes de faca nele e saiu”, explicou o delegado.

A discussão, segundo a versão da investigada, teria começado depois que ela passou a suspeitar que o companheiro tivesse HIV, ao encontrar medicamentos utilizados por ele. A informação não confirma que Jucinei tivesse o vírus e faz parte exclusivamente do depoimento apresentado à Polícia Civil.

Após o crime, a mulher fugiu da residência e permaneceu escondida em uma região de matagal. Segundo Bruno Abreu, ela afirmou que estava sozinha com o companheiro no momento da discussão e que seu filho não estava em casa.

EXAMES E LIBERAÇÃO

A Polícia Civil requisitou exame de corpo de delito para verificar a existência de possíveis lesões na investigada e avaliar se são recentes, informação que poderá ajudar a esclarecer a alegação de legítima defesa.

“A gente requisitou exames de corpo de delito para ela, para entender se as lesões são recentes ou não. Hoje ela foi ouvida com o advogado e foi liberada”, declarou Bruno Abreu.

Após prestar depoimento, a mulher foi liberada porque não havia mandado de prisão contra ela e o período legal de flagrante já havia terminado. A investigação continua para esclarecer se as circunstâncias do crime são compatíveis com a versão apresentada.

RELEMBRE O CASO

Jucinei Ribeiro da Silva foi encontrado morto na manhã de domingo (1º), na entrada da residência da companheira, no bairro Vila Operária, em Várzea Grande.

O corpo foi localizado por familiares que procuravam pelo homem desde a madrugada, após perceberem que ele não havia retornado para dormir.

O irmão da vítima, Ivo da Silva, relatou que, durante as buscas, encontrou a motocicleta de Jucinei abandonada em uma área de matagal, com a chave no contato e o motor ligado. Sem localizar o irmão, pediu ajuda a um sobrinho e seguiu até a casa da companheira, onde encontrou o homem sem vida.

NOVO RELATO SOBRE DISPAROS

Durante o interrogatório, a mulher também apresentou uma nova versão sobre disparos de arma de fogo ouvidos por moradores na região.

Ela afirmou que, após o homicídio, pessoas em uma motocicleta teriam efetuado disparos em sua direção. A investigada não foi atingida e declarou não conhecer os supostos atiradores.

Segundo Bruno Abreu, inicialmente os investigadores acreditavam que os disparos relatados por vizinhos poderiam ter ocorrido contra Jucinei antes de sua morte.

“Agora a gente vai ouvir testemunhas para entender melhor o que aconteceu, se realmente houve disparos. É um fato novo que ela trouxe agora para nós”, afirmou.

A DHPP deverá analisar os exames periciais, os registros anteriores de violência doméstica e os depoimentos de testemunhas para esclarecer o homicídio e verificar a alegação de legítima defesa.



Fonte:Estadão MT