Gilberto Leite | Estadão Mato Grosso
Com a chegada das vendas de fim de ano, os comerciantes de Cuiabá recuperaram parte do otimismo perdido nos últimos meses. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) subiu de 97,8 pontos em setembro para 100,7 em outubro, avanço de 3%. O resultado voltou a ultrapassar a linha dos 100 pontos, considerada a fronteira entre pessimismo e otimismo pela pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisada pela Fecomércio-MT.
A recuperação ocorre às vésperas da Black Friday, marcada para 27 de novembro, e do Natal. Nesse período, lojistas precisam decidir quanto comprar para repor estoques, se vale contratar reforços temporários e como atrair consumidores que pesquisam preços antes de gastar. A melhora do indicador sugere mais disposição para enfrentar essas decisões, mas não significa que as vendas já tenham crescido.
O dado mais expressivo da pesquisa está nas contratações. Segundo o levantamento, 75,5% dos empresários esperam ampliar suas equipes para atender ao movimento de fim de ano. É uma intenção declarada, não uma previsão de quantas vagas efetivamente serão abertas. O volume de admissões dependerá das encomendas, das vendas e da capacidade de cada estabelecimento.
A avaliação da situação dos próprios negócios também melhorou. Entre os entrevistados, 62,7% afirmam que as condições da empresa estão melhores, enquanto 37,3% apontam piora. O índice específico de condições atuais passou de 111 para 113,5 pontos no intervalo de um mês.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, o movimento não se restringiu a uma única parte da pesquisa.
“A melhora simultânea das condições atuais, das expectativas e das intenções de investimento indica uma recuperação mais ampla da confiança dos empresários”, afirmou.
O indicador geral, entretanto, permanece abaixo dos 104,9 pontos de outubro de 2025. Isso mostra que o comércio voltou ao campo positivo, mas ainda não recuperou o patamar de confiança de um ano atrás.
CONSUMO E CAUTELA
A disposição para investir segue como o ponto mais frágil. O indicador de nível de investimento avançou de 91,6 para 96 pontos, porém continua abaixo de 100. Na prática, o comerciante pode estar mais otimista com as vendas próximas sem se sentir seguro para reformar a loja, adquirir equipamentos ou assumir despesas permanentes.
Do lado dos consumidores, outra pesquisa da Fecomércio-MT ajuda a explicar essa prudência. A Intenção de Consumo das Famílias de Cuiabá chegou a 106,3 pontos em outubro, após quatro quedas mensais. Mesmo assim, 49,4% dos entrevistados relataram maior dificuldade para conseguir crédito, e 46,3% disseram comprar menos do que no mesmo período do ano anterior.
Os dados mostram que o ânimo dos empresários e o orçamento dos clientes não evoluem necessariamente no mesmo ritmo. Uma loja pode esperar mais movimento, mas precisa lidar com famílias que comparam ofertas, adiam compras de maior valor ou preferem pagar à vista para evitar juros.
A Black Friday será um dos primeiros testes desse ambiente. Pesquisa do Sebrae-MT projeta movimentação de R$ 777 milhões no Estado, abaixo dos R$ 821 milhões estimados em 2025, apesar do aumento do gasto médio pretendido por consumidor.
A confiança recuperada em outubro abre espaço para planejamento, especialmente na formação dos estoques e das equipes. O resultado concreto, porém, só poderá ser medido após a temporada de compras, quando as intenções de contratar e vender mais se transformarem, ou não, em novas vagas e faturamento.
Fonte:Estadão MT





